O treinamento – considerações finais

Olá pessoas!!

Vocês devem está se perguntando, porque que essa doida não para de falar nesse bendito treinamento? Só teve isso de experiência até agora? Bem, sim e não. Pois é, juro que nem eu tô aguentando mais escrever sobre isso, mas é o ultimo 😛

Como vocês podem ter notado, eu sou um pouco perfeccionista e acabo dando mais detalhe do que precisava. Os post acabaram ficando tão grandes que tive que ir dividindo pra não ficar cansativo. Contei das regras, pra que que serve e até como funciona a grade das aulas. Mesmo assim ainda acho que não esgotei o tema (a louca por escrever).

Agora nesse aqui vou devagar um pouco (tava demorando) sobre o treinamento em si, e para que que ele realmente serve e como tirar o maior proveito disso.

A gente, nós ser humanos passivos a erros, temos idéias pré-concebidas de tudo, ou quase tudo. Sem mesmo antes de experimentar ou até mesmo de conferir se está certo ou não, temos lá nas nossas cabecinhas duras uma opinião sobre o assunto.

Quando cheguei no Hotel eu já tinha algumas idéias e tal do treinamento de como seria de tanto que li nos blogs da vida. Mas a experiência cada um faz a sua, então resolvi fazer um pouco diferente, resolvi aproveitar o treinamento do meu jeito.

Explico: eu tinha lido em vários blogs de como as alemãs eram umas bitchs que se achavam e não se misturavam. Mas a primeira coisa que percebi foi que nós brasileiras também não nos misturavam. Na verdade, qualquer homem médio, se você parar pra reparar,  tende a se fechar naquilo que lhe é conhecido e familiar.

É natural que as alemãs se fechem com elas mesmas, pois estavam em maior número, é natural que elas se juntem com elas mesmas. Da mesma forma que as colombianas, por exemplo, deviam pensar a mesma coisa de nós brasileiras, pois estávamos sempre em patota também, tagarelando português o tempo todo (que é proibido, by the way, só pode falar inglês lá).

Não é a toa que as colombianas, mexicanas e argentinas formaram seu próprio grupo, mas as alemãs só chamam mais atenção por estarem em maior quantidade. Tudo bem que todo mundo é diferente culturalmente falando, assim como achamos as alemãs meio arrogantes, as meninas do japão devem ter achado as brasileiras mal educadas e escandalosas.

Pensando nesse assunto antes de ir eu resolvi fazer um experimento: como já tinha conhecido as meninas da terrinha já no aeroporto, e elas eram demais, sabia que teria para quem correr sempre. Então resolvi tentar sempre sentar num lugar diferente, sozinha, em cada aula.

Ía na cara dura mesmo, sozinha, via um monte de meninas que nunca vi na vida, falando muitas vezes alemão, e perguntava ” Is this sit taken?”. A resposta sempre era não, eu sentava e pronto, quando eu via tava eu lá tagarelando. O resultado disso, conheci gente muito legal de todo canto do mundo. Das mais desinibidas como as mais tímidas, como o povo lá pras bandas da Ásia.

Brasil, Coréia do Sul, Colômbia, Alemanha e EUA, tudo junto e misturado

Foi bem legal fazer isso. Claro que também era muito legal ir comer com as minhas meninas brasileira. Eu sempre comia com brasileiras porque assim eu podia falar mal da comida com mais liberdade e em português. 😛

E o melhor de tudo: foi a quebra de tabú. Uma das pessoas mais legais que conheci foi uma das minhas companheiras de quarto que era alemã. Ela era demais, gente muito fina, super nice guy. Prestativa até o talo, até quis me emprestar um biquíni quando falei que tinha esquecido o meu na outra mala estocada. Deu vontade de responder a ela que na minha terra não se empresta biquíni, mas tudo bem, ficou a boa vontade dela de me ajudar. Enfim, ela e a amiga dela foram umas das pessoas mais legais do treinamento que conheci.

Gente chata existe em tudo quanto é lugar, de tudo quanto é canto. A gente estranha um pouco os costumes mesmo, super normal (o de não tomar banho me incomoda um pouco, vou confessar), mas deixo ai a sugestão para vocês fazerem a mesma coisa.

Aproveitem esses dias de férias no treinamento para fazerem amizade independente da nacionalidade da pessoa. Sugiro que faça amizade com o grupo que more perto de você, vai por mim, você vai precisar de companhia quando bater aquela carência. Ou isso, ou você vai acabar querendo abraçar o cesto de roupa suja.

Comecem a experiência de ser au pair, do intercâmbio, da saída da zona de conforto no próprio treinamento, acho que será bem útil para sua vida com a family mais tarde.

E tenho dito, minha gente! Prometo que esse foi o último post sobre o treinamento, a partir de agora serão as novidades daqui direto de Chappaqua, NY 😛

Beijo pra quem fica!!

Ps: fazer favor de não reparar em imagem repetida usada em post anterior. Já ta tarde e eu estava sem imaginação de que imagem colocar aqui.

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O treinamento – 2ª parte

Olá pessoas!!

Como o título já entrega, hoje vou continuar contando a saga do treinamento. Na  1ª parte do post (perdeu? Só clicar aqui!) eu contei quais eram as regras e o seu objetivo, agora vou resumir como funciona.

1º dia (uma segunda-feira): O povo chega!!

As Au Pair começam a chegar em comboio. A hora da chegada vai depender da hora do seu voo, óbvio! Nós brasileiras fomos as primeiras a chegar. Depois foi um pinga pinga de Au Pairs. A gente chega, recebe as instruções (que já contei pra vocês) e estamos livres pra fazer o que quiser. Eu corri para o shopping, mas exatamente para Best Buy, e comprei uma máquina 😀

Opções de coisas pra fazer no tempo livre: ir pra piscina do Hotel (que fica aberto até as 10 pm), ficar de bobeira no quarto aproveitando a banheira e a TV a cabo ou sair para um shopping enorme e super chique que fica há uns 15/20 min do Hotel e que tem um ônibus que sai do próprio hotel que leva a galera lá. Esse ônibus tem horário certo de saída. Você tem que prestar atenção no horário, se você perder, só de taxi que você volta, baby, e tu vai ter que morrer bonito numa grana.

Só pra esclarecer: nós temos curfiew durante nossa estadia no hotel.Tínhamos que estar nos nossos quartos as 10:00 pm. Todo dia alguém ía conferir se todas estavam aonde deveriam estar. Claro que rolava uma ignorada nessa regra. Por exemplo, o povo ía para nosso quarto dava a hora da “revista” todo mundo voltava para seu próprios quartos e depois voltava todo mundo para meu quarto de novo (olha só eu ensinando o mal caminho).

2º dia (terça-feira): Começa as aulas.

O café da manhã é em torno das 7:00 horas. As 8:00 am em ponto começavam as aulas. No primeiro dia de aula rola uma apresentação e uma esclarecida no que viemos fazer (se até aquela altura do campeonato a pessoa não soubesse, se morre) porque sempre têm um sem noção achando que está vindo de férias.

A gente recebe esse livrinho

O almoço é rápido, tipo uns 45 min, e é sempre algo esquisito que não lembra em nada um almoço digno. Foi nesse dia que me atrasei pra voltar e fui penalizada.

De tarde a gente se divide em grupos de idades de crianças que vamos tomar conta. São três grupos: crianças de até 3 anos ( ou toddlers), de 4 até 6 anos, e os de 7 em diante. Quem vai tomar conta de mais de uma criança escolhe a idade que mais se interessa em se especializar (meu caso). Eu escolhi ficar no grupo  das crianças de 4 até 6 anos.

Nessa hora, cada grupo vai trabalhar essa faixa etária específica. O que as crianças estão fazendo, quais são as melhores atividades para elas, o que fazer em tal situação, como lidar e essas coisas. Como eu tinha perdido ponto no almoço, resolvi me redimir fazendo uma apresentação (ganhei uns pontinhos). Ah! e cantei “A b c” (aquela música do alfabeto) na frente de todo mundo 😛

galera reunida no salão principal

As 4:30 pm as aulas acabam e estamos Off. Quem comprou o ticket para o tour de NY tem 15 min pra subir e entrar no ônibus. Eu escolhi não ir porque todo mundo falou tão mal do tour e depois eu ía morar em Nova York, teria outras oportunidades. Para quem vai morar longe, aconselho ir porque você não sabe quando terá outra oportunidade.

Eu fui de novo no shopping namorar aquelas lojas que eu só via em blog de moda: Victoria Secrets, Forever XXI, Holliester, Abercrombie etc etc.

3º dia (quarta-feira): mesma coisa

As 7:00 am café. As 8:00 aulas. Formamos novamente um grupo das idades e dessa vez fiquei no grupo das crianças de 7 anos em diante.

O almoço foi churrasco, com salsicha muito suspeita e hamburger. Dessa fez foi mais longo, durou 1 hora.

De tarde temos aulas de CPR, que é primeiro socorros. Nós aprendemos a fazer respiração boca a boca, massagem cardíaca, o que fazer no caso de alguém engasgar, fazer curativo e até aplicar aquela caneta no caso de alergia, e assim por diante. Bem útil viu?!

A canetinha de aplicar em caso de alergia que eu esqueci o nome 😛

Ressuscitando um boneco muito parecido com o Chuck - o boneco assassino

As 5:00 pm termina. Sabemos qual grupo ganhou, e esse grupo sai correndo para seu tour com mais tempo em Manhattan. Fiquei de bobeira e nem fui para o shopping. Fiquei de papo no meu quarto que virou um mega encontro de Au Pairs e Au Pairos 😛

4º e último dia (quinta-feira): Café e aula começam mais cedo.

Temos as instruções básicas de como lidar quando se chega na família. De como perceber e lidar com homesick. Até de como estar vestidas para ir se encontrar com a família (não precisa de receita, bom senso já te diz o que vestir, né não?!). Por último as instruções de como será a partida. Desde a galera que vai para aeroporto, até da turma que ficará esperando pra ser buscada pela family.

Esse dia é o mais tenso de todos. Paira no ar uma nuvem preta de tensão porque está todo mundo ansioso para a hora de encontrar com a family. Meu estômago parecia está dançando lambada (desinterrei)nde tanto que se revirava.

Aí está o resumo (se é que pode chamar isso de resumo) dos schedules do treinamento. Minha impressão: eu amei o treinamento. Adorei tudo, as pessoas, as aulas que eram chatas mas necessárias, a comida ruim, as pessoas (adorei todo mundo lá por isso repeti :P). É uma sensação boa de colônia de férias. Aproveitem bem esse momento, por que lembrem-se, vocês não estão vindo de férias, estão vindo para trabalhar. E muito!!

Pra terminar fiquem com essa linda obra de arte feita por mim e outras meninas numa das aulas 😀

"Obra prima" feita por um dos meus grupos: Brasil, Coréia do Sul, Colômbia, Alemanha e EUA, tudo junto e misturado

Bom, acho que já dei meu recado por hoje,

     beijocas pra quem fica!!

Ps: obrigada a todos os recados que vocês deixam. Eu leio tudo, as vezes não dá tempo de responder, mas eu leio tudo e vou sempre respondendo dúvidas. Qualquer coisa é só perguntar!! 😀

O treinamento – 1ª parte

Depois de todo drama com o avião, hoje vou contar pra vocês como funciona o treinamento pela APC.

Esse treinamento serve como uma preparação para sua chegada na família. Funciona como um curso prático de imersão á cultura americana, que por mais que a gente acha que conhece por causas dos filmes, a gente não conhece at all e não fazemos idéia de como é diferente da nossa.

O QG da APC para o treinamento fica no Estado de New Jersey (alooou Niterói :P) num Hotel super “meu amor” (descobri que é 300 doletas a diária) o Hilton. Antes de você partir, legal você sempre ter o endereço desse Hotel mais o telefone (que fica na sua própria Au Pair Room)  porque tem trezentos Hilton e caso você se perca você consiga voltar.

É esse bonitão aqui

Nesse Hotel vão ficar todas as meninas que vem pela AuPairCare de tudo quanto é canto desse mundo. Mas o que mais você ver por lá são alemãs e brasileiras (presente!).

Assim que você chega, você recebe uma orientação básica, tipo o código do Wifi, pra quem tem computador, aonde fica os computadores pra quem não tem e essas coisas. Você também recebe as instruções do tipo como usar seu cartão telefônico (custa 20 dolares pra comprar lá) porque se usar errado, vai gerar uma conta e você que vai pagar, meu bem. Também é nessa hora (sim, você nem respira quando chega) que você recebe o “convite” para gastar 42 Obamas para ir no tour de NY (que eu abafei total).

Cada uma entrega o passaporte para uma mulher lá, ela vai grampear um folhetinho minúsculo, que você nem dá a mínima quando recebe dos caras lá do aeroporto mas que é super importante na hora de voltar para o Brasil, no seu próprio passaporte, pra evitar que você perca, of course. E também você tem que mostrar pra ela seu DS 2019.

Importante saber: você só pode levar para seu quarto uma mala de rodinha. Não importa o tamanho, o que importa é a rodinha. Se vocês estiver com duas de rodinha uma vai ter que ficar guardada com eles, e custa 2 dolares pra guardar.

O que eu aconselho é você programar sua mala pra esses dias de treinamento que serão corridos e você não vai ter tempo pra fazer a “estilosa”. Bom, eu não tive, mas eu sou a pessoa mais básica ever.

Já comentei aqui que eu me arrependi de ter trazido uma mala grande e outra de bordo. Conselho de amiga, leva uma grande, e vai de mochila e no máximo uma frasqueira. Vai por mim, praticidade nessa hora é tudo. Também já deixe separado a roupa que você vai vestir no dia que for encontrar seus hosts. Eu não fiz isso, e queria muito que alguém tivesse me dado esse toque.

Por último você vai receber um envelope com seu seguro saúde, com mais uns papéis que vão te servir na hora de você tirar seu Social Security Number mais um envelope minúsculo com a chave do seu quarto. Nem preciso falar que é óbvio que você não escolhe seu roomate, já está tudo dividido pra quando você chegar.

a esquerda está a Sérvia, e na cama uma vizinha de corredor 😛

Os quartos são arrumados por localidade, então no meu caso, por exemplo, como eu ía ficar aqui em no Estado de New York, as minhas colegas de quarto moram tudo aqui bem perto de mim. É bem interessante esse esquema por que você faz amizade com seus futuros vizinhos. Quer ver: uma das minhas colegas de quarto (que é da Sérvia) virou super minha amiga e hoje a gente já até sai juntas.

Você também fará parte de um grupo dividido por cor, cada vez que você fizer algo certo, responder uma pergunta certa, tirar uma dúvida ou fizer uma macaquice qualquer você ganha ponto para seu grupo. Meu grupo foi o rosa pra quem queira saber. Esses grupos também são separados pelas localidades que as meninas vão morar.

Uma curiosidade, as alemãs são muito competitivas. Elas eram as únicas que ligavam para esses pontos. Nós brasileiras, em compensação, não dávamos a mínima. Deve ser nossa veia diplomática, vai entender. Pelo menos eu ignorava total esses pontos. Só me senti mal quando perdi ponto, fiquei com medo de alguma alemã vir me matar 😛

Pode parecer meio confuso lendo assim, mas super funciona o esquema. No final, o grupo com mais ponto ganha um prêmio, um tour para NY com três horas de duração. O meu grupo passou longe de ganhar.

Só pra saber, se você fizer algo errado, eles tiram pontos do grupo. Um dia eu voltei 5 min atrasada do almoço e fui penalizada perdendo ponto para o grupo. (depois ganhei alguns para me poder me redimir). Funciona bem como no esquema de casas do Harry Potter, sabe qualé?!

Essas são algumas informações de quais são as regras do treinamento, vou continuar contando como ele funciona nos próximos capítulos para que esse post não fique grandão (tarde demais, já ficou!).

Beijocas pra quem fica meu povo!!

PS: alguém perguntou se meus medicamentos, todos sem receitas tinham passados. Passou sim, tudinho!!

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