Pensamento do dia

And if i have money, I would buy more shits that I don’t need right now.

Bom final de semana,

e beijos pra quem fica!

The journey is the reward: 6 months in the USA!

Fiquei duas horas esquentando o cérebro pra ver se esse post conseguia sair. Não sabia se deveria ser reflexivo ou uma junção de bobagens filosófica mais conhecida popularmente como filosofia de botequim. Comecei a escutar um pouco de Bob Dylan pra ver se a inspiração vinha e nada (quem me segue no twitter percebeu, tô aqui ó @lunacfc).

Bobeou, dançou, você pisca e 6 meses passaram voando por você. E o que eu tenho pra falar sobre isso? Sei lá, que foi rápido demais, mas ao mesmo tempo que olho as fotos do treinamento parece que foi há bilhões de anos atrás.

Aquela pessoa inocente, mal esperava que a caminhada seria muito mais difícil do que se esperava. Que passear por NYC teria um custo enorme de 5 dias completamente sem vida, limpando muita bunda de criança e esfregando muito chão (só pra avisar que quem vem como au pair vem sem glamour nenhum, se você tá achando que vai vir de princesa, pode tirar o pangaré da chuva).

Só pra você não dizer que ninguém nunca te avisou que não seria fácil (apesar de eu não ter certeza se vale a pena também). Ai que horror, era pra eu tá aqui mega melosa sobre meu aniversário de “cheguei na metade do percurso” e tô aqui super desencorajando o povo. 😛

Liga não gente, eu sou uma reclamona de marca maior. Vem prá cá sim, morar na casa de gente que você nunca viu. Vem galera, aturar criança birracenta, trabalhar pra cacete, ganhando pouco, esfregando chão, arrumando quatrocentos mil vezes aquele play room porque logo em seguida a kid vai zoniar tudo de novo, limpar banheiro mas óhh tudo em inglês. Óh que chique!

Aí você coloca meia dúzia de fotos de Manhattan no facebook pro povo achar que você tá só no glamour aqui 😛

Eu nem acredito que tô nisso tem 6 meses e pior ainda é saber que ainda restam mais 6.  Porra, mas eu já falei isso. Cara que falta de inpiração!

Vamos lá: 6 meses e nem um pouco mais sábia. 6 meses e ainda tenho um monte de assuntos inacabádos comigo mesma a serem resolvidos que eu, na minha santa inocência (ou preguiça) achei que eles se auto resolveriam mudando de país.

foto aleatória da times pra quebrar post grandão =P

Não,não resolveram, vieram todos comigo escondidos na bagagem. Continuo paciência zero, ainda meio intolerante , ansiosa e insône mais do que nunca.

Tá, mas me forçando a adotar um comportamento um pouquinho mais positivo para fazer essa analise tão profunda do meu ser, eu também pude conhecer NYC, pessoas legais, fazer compras (depois de ficar 1 ano sem comprar um brinco), estudar (apesar de achar que o curso poderia ser bem melhor) e o que mais?

Ah! Também aprendi a engolir muito sapo. Ô, já posso até fazer um livro de culinária. As vezes engulo sapo frito, ensopado, assado. As vezes de canudinho, as vezes sopa de brejo e por aí vai…

Entre coisas boas e ruins, muita coisa aconteceu nesse tempo e pra ajudar a resumir, aqui vai uma lista básica do que rolou na minha vida nos últimos 6 meses.

– andei de avião pela primeira vez

– aprendi a dirigir

– me arrependi de ser au pair

– senti saudades como ninguém

– joguei boliche pela primeira vez (sou criada em cidade grande mascom uma alma de caipira inacreditável)

-conheci gente maravilhosa

– também conheci gente não tão maravilhosa assim

– aprendi a gostar de tequila

– aí tomei um porre de tequila e voltei carregada pra casa

– comprei na Forever 21 pela primeira vez

– tive rematch e troquei de família

– quis desistir do programa

– não consegui me tornar uma pessoa paciente

-me encantei por NYC milhões de vezes

– continuo sem saber fazer baliza

– fiquei doente e tive o dia descontado por isso (porque eu só me fod*, sempre!)

– consegui ler 1 livro inteiro

– conheci o frio de -11ºC

– coloquei a mesa de jantar da outra família e lambi os garfos só de pirraça (maturidade zero)

– encolhi um pijama na secadora

– consegui mais ou menos planejar meu futuro (só umas 400 vezes)

– comprei uma bota pela primeira vez

– na empolgação, comprei mais três

– passei a andar de moleton e descabelada pela rua

– não tirei férias

– Limpei muito chão, aspirei muito carpete,arrumei muito quarto, esvaziei dishwsher como ninguém, limpei muito banheiro e usei windex quase todos os dias (mas tudo em inglês!)

– o inglês até que deu uma melhorada ( o que vivendo como au pair é dificil já que na maioria do tempo você tá interagindo ou com a pirralhada ou com os produtos de limpeza da casa)

– ganhei um abraço do carinha da placa “Free Hug” em NYC

– coloquei durex nas calças pra simular que tinham bainha

– aprendi a viver sem feijão

– Consegui levantar sozinha uma mala de uns 5o Kgs

– Usei batom vermelho pela primeira vez

– Aprendi a colocar gasolina no carro (maioria dos Estados não tem frentista)

Já tenho emprego garantido no Brasil: frentista

– lógico, tomei banho de gasolina na sequencia

– dei muitos tchaus, mas o mais doloroso de todos foi quando me mudei de Chappaqua pra New Jersey, sem dúvida.

– cruzei um estado sozinha e dirigindo 😀

– joguei golf

– tive certeza que não quero ter filhos

– comprei uma headband tipo a da Blair Waldorf (Gossip Girl, xoxo baby :*) com maior laçarote mas que fiquei sem coragem de usar

Blair: a musa dos headbends

– tentei desencravar minha unha e quase precisei de transfusão de sangue por conta disso

– cansei de ser au pair (de novo)

Tá bom né? Foram 6 meses bastante agitados, bastante intenso. Acho que envelheci uns 200 anos. Pra piorar, achei dois fios brancos na cabeça, não um mas DOIS. Quero saber só quem vai bancar minha fonte da juventude depois que essa brincadeira acabar.

Mas enfim, para os próximos meses eu espero poder viajar, tirar férias e me estressar menos. Ah! E aprender a estacionar o carro decentemente, claro.

Gente, ainda não sei se nada disso valeu a pena, se tá valendo ou se vai valer, mas como diz o título lá de cima, a jornada é o prêmio, então vamos esperar e ver aonde isso vai dar (no manicômio pelo visto :P).

Brigada todo mundo pela força, desculpa aí se eu acabo desencorajando os aspiras, mas pra me redimir, ó, quem tiver dúvida de alguma etapa de processo e tal, só deixar aí nos comentários, eu super topo ajudar.

Em assuntos de rematch já virei especialista 😛

beijos pra quem fica!

Ps.: Final do mês é meu niver e segundo os astrólogos eu estou no meu inferno astral. Não acredito em signos e nada disso, mas é uma boa desculpa pra eu poder ficar mal humorada a vontade e ainda posso culpar os astros. Até o final de Janeiro, você vão ter que aturar uns posts meio ranzinzas 😛

Ps2.: E vocês concordam que a jornada é o prêmio ou acham que é só mais uma hiponguice tirada lá dos buracos da India?

The Road Not Taken

“Two roads diverged in a wood, and I—
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference”

Gente não  me xinguem, eu prometo não fazer posts cabeça – cult- tênis verde – calça xadrez – estilo hipponga 😛 Mas hoje acordei com esse poema, poesia, sei lá, na cabeça. Fui abrir meu orkut (sim, ainda tenho a conta mas nunca uso) e esse trecho tava lá nos meus scraps (anos que não falo scrap), era o primeiro (porque eu era da turma que apagava scraps) que tava lá.

Deve tá lá há anoooooooos, desde 2007 quando conheci Robert Frost, o autor do poema/poesia, na minha aula de literatura americana e adorei.

Na verdade ele é maiorzinho mas esse trecho sintetiza tudo.

  • Duas estradas divergiam num bosque e eu…
  • Eu peguei aquela menos frequentada
  • E isso fez toda diferença
É, a gente chega na metade do programa e vai fazendo esses posts gays. Amanhã é meu aniversário oficial de 6 meses e já fiz um post com maior resumão. Se eu tô assim agora, imagina o post de 1 ano?! Me segurem 😛
Beijos reflexivos pra quem fica galera!
Ps.: o título em português seria: A Estrada não tomada
Ps2: Todas as traduções feitas por mim 😀
Ps3: o WordPress ficou louco e não deixou eu configurar nada. Aí saiu essa porcaria mas não é minha culpa!

Dois pesos, duas medidas

Olá galera, tudo bem?

Começando de bem assim porque até que hoje eu tô bem humorada (costumava ser raro, a rabugice tava ownando tudo). Final de semana maravilhoso, aí a segunda não fica nem tão insuportável assim.

Ontem consegui ir no meu primeiro meeting do meu novo cluster. Primeiro meeting da agência ever pra mim, porque no outro cluster, apesar de ter várias meninas, a vaca da Lcc fazia só coisa chata e ainda mandava um, olha e nem precisa aparecer não, tá? Conclusão, ninguém aparecia de fato.

Enfim, mas cluster novo, vida nova. Então, depois da viagem toda de volta de NY, eu ao invés de ir direto  pra casa, fui pra casa da Lcc aonde seria nossa reunião.

Não tinha menor noção da onde era, ainda não conheço os lugares aqui, e fui confiando cegamente no GPS (que dia desses deu furo comigo e ficamos de mal) mas dessa vez ele fez seu trabalho direitinho e me elevou lindamente no buraco que minha Lcc mora. Maior Hill e sem iluminação. Me senti back to Chappaqua.

Ah, e pra ficar mais linda a história, o meeting era 6 horas da tarde, ou seja, já tava super escuro. Tava com cagaço de pegar estrada no escuro mas foi again, tudo bem.

Aí sai eu do carro, fazendo celular de lanterna, concentração máxima pra não tropeçar e chego lá no lugar, eu e meus cookies. Maior vergonha né, você chegar todo mundo lá reunido e eu não conhecia ninguém. Nossa, entrou eu e minha timidez de mãos dadas, unidas sempre.

O encontro foi muuuito legal. Fizemos joguinho boring, mas pude comer bastante, e conversar com a galera. Trocar telefones, mandei muito o famosos “vamos marcar”, e por aí foi. Saí de lá as 10 horas da noite. E cada uma de nós ( e tem boys no nosso cluster também) ganhou uma lembrancinha de natal, bem simpático.

Lembrancinha da lcc para as au pairs

Cheguei em casa bem tarde, porque a Lcc mora a 40 min daqui. Olha eu sou muito sortuda, porque todo mundo mora daquele lado de lá, e eu a única pra essas bandas da Pensilvânia.

Fica aí a dica meninas, na hora de socializar, ir aos meeting que a sua Lcc faz pode ser uma boa idéia 😀 Certeza que vou no próximo, vai ser no Disney on Ice, acha mesmo que vou perder?

e tinha o nome de cada uma de nós

Bom, mas depois dessa volta toda, vamos ao que interessa. Comentei aqui sobre um papo muito honesto com minha atual fofa e nessa conversa a gente esclareceu umas coisas sobre esse programa de au pair. Acho que deixei um monte de gente curiosa quando comentei sobre isso, e vou contar pra vocês como o programa é vendido para as famílias e aí dá pra perceber o porque que a maioria das famílias tratam as meninas do jeito que sabemos, porque é como se fosse dois programas diferentes.

Não sei como surgiu essa parada de ser au pair, mas para gente (vocês sabem muito bem) o programa é vendido como intercâmbio, onde você mora com a família e toma conta dos filhos. Você será como membro da família, interagindo com eles. Tem que ter um lugar decente pra ficar. Vai ganhar um salário que em três meses vai poder pagar o seu investimento. E vai poder viajar e estudar muito. Tem a bolsa de 500 dolares. Ah claro, e trabalha também , tomando conta das crianças.

Aí a sua reação quando descobre isso é: olhos brilhando pensando, é essa a solução! Posso viajar , estudar ainda, e vou se mega rica com esse salário que tão falando aí visto que não tenho despesa. Demorô, já é! Quando posso mesmo entregar meu application?!

Tá, esse é o lado da au pair. Agora para as famílias, segunda fofa o programa é vendido assim.

A menina vem pra cá exclusivamente para trabalho. A maior da vantagem é a flexibilidade. Ou seja, ela fica a disposição da família. Ela é bem treinada, e está super preparada pra ficar um ano em outro país ( mentira, todo mundo sabe que o treinamento é bem mais ou menos). Então é assim, interesses da família sempre, se sobrar vontade, aí a gente pode té ver o  que é bom para a au pair.

Pra gente, é programa de intercâmbio, de troca de cultura e até de estudo. Para as famílias é só o trabalho e a nossa flexibilidade. Isso porque tem família que nem sabe que a gente pagou pra virmos pra cá. Muita delas acham mesmo que a gente veio pra cá por causa do dinheiro, pra juntar e voltar para nosso país merda de terceiro mundo.

O rematch pode ser mais rápido que o casamento da Kim com o Cris =P

Assim fica difícil, quase que impossível, alinhar as expectativas dessa forma, tanto da au pair  quanto para a família. A família,no seu direito de senhor da senzala que lhe foi outorgado pela agência vai botar pra f#der com a au pair. E a au pair, que tá mega achando que vai tá fazendo intercâmbio vai tá lá reivindicando seus direitos de ter o schedule respeitado, as horas obrigatórias, e até salário, porque tem muita família que simplesmente “esquece” de pagar as meninas.

Para as famílias não é dito que isso seria um programa de intercâmbio sabe? Para elas são só meninas necessitadas que vem para a América trabalhar de qualquer coisa pra ter dinheiro. E aí, se você não tirar na loteria de pegar uma família mais mente aberta e legal, vai ser assim que você será tratada.

E aí, do outro lado, tem a frustração das meninas que chega aqui e descobre que a bolsa estudo não dá pra fazer curso legal, só cursinho ESL de inglês. Que seu salário não é bom, porque você vai entender como a economia daqui funciona e vai ver que não é bem assim. E vai descobri o maior dos gastos que ninguém te falou, a gasolina.

Uma vez que pra ir na esquina você tem que usar o carro, você precisa de combustível, certo? Mas isso é você que custeia, então… o negócio é ficar torcendo para que fique tido tranquilo lá nas arábias e não comece uma nova crise na gasolina 😛

Olhando nesse ponto, acho que agora dá pra entender porque que acontece chuvas de rematch, fica complicado realmente atender a expectativa dos dois lados porque cada um tá esperando uma coisa diferente do lado de lá.

A agência por usa vez meio que lava as mãos, na hora de defender interesses, vai ficar do lado que melhor lhe convém. O lado que melhor convém a agência, sem dúvida é aquele em que o dinheiro é maior, e como a família dá nada mais nada menos que uns 8 mil Bill Clintons para a agência (o nosso dinheiro ficou no Brasil, se ferra aí então) no ano (acho que é ainda mais), claro que no final das contas, a família tá sempre certa.

Por tudo isso, acho que se tivéssemos que apontar um culpado, diria que é a agência e o governo americano que regulou essa bosta de programa que não tem nem o mínimo esforço de preparar as meninas para o que vão de fato encarar (chegou aqui é você e deus) e nem as famílias para receber e conviver com alguém de fora.

Porque a gente já tá careca de ouvir história de família que tacou o terror dna au pair, mas né, também tem muito caso de menina que go crazy também. Que não tem a menor idéia o quão escroto mas de uma responsabilidade enorme esse trabalho de tomar conta de criança ( e empregada nas horas vagas) requer.

Lembro de ouvir que um dos maiores motivos de família pedir rematch era por motivo de roubo. Pode isso não né, pô!! E tem as que não tem preparo nenhum pra lidar com a pressão de morar longe de tudo e de todos, se virar nos trintas sem ajuda de ninguém e conviver com uma cultura totalmente diferente que a dela.

Aí, pra terminar esse post que ficou quase que um tratado, deixou uma DICA importantíssima pra você, cara aspirante a au pair:

Se você é muito apegada a sua vida no Brasil, seus amigos, família, namorado, não consegue ficar sozinha nunca, ou ainda, tem uma rotina confortável e não consegue se imaginar sem isso, então NÃO VENHA!

Sério, na boa, vem não. Putz, pra ficar aqui o tempo todo chorando pelos amigos, porque fulano vai casar, viver de cara no skype e não aproveitar a vida lá fora, ficar repetindo milhões de vezes que seus amigos de verdade estão no Brasil, então nem venha perder seu tempo. Aqui é pra passar perrengue o tempo todo, e sozinha ou com apoio dos seus novos amigos de infância que você conhece todos aqui.

Dica, vem de turista que você vai aproveitar mais, vai amar o país do entretenimento e das compras. Vai voltar com Ipohne, Ipad, Iisso, Iaquilo, toneladas de roupas de marca e várias fotos de dar aquela invejinha básica nos amigos do face (sic).

No mais é isso, deixo aí a reflexão do dia pra vocês. Para casa: refletir bem se ser au pair é para você.

Beijo pra quem fica!

Ps.: tô ficando tão preguiçosa com essa parada de tirar foto. esqueci completamente de tirar foto no cluster meeting.

Why can we just all get along?

Uma das delícias de se ter um blog, cujo no nome não venha nada referido a au pair, é poder escrever as besteiras que me vem  a cabeça com as desculpa de que esse blog é sobre o nada e o tudo ao mesmo tempo.

Pensar sobre a morte da bezerra, formular teorias bestas milaborantes que não me servem de nada e filosofar sobre a vida o universo e tudo mais é comigo mesmo. E eu adoro poder escrever essas merdas todas aqui.

Uma coisa que a experiência de intercâmbio te coloca de cara assim é o contato com as pessoas. Eu sempre fui um ser muito social que adora estar em contato com o homo sapiens. Nunca me imaginei, por exemplo, sendo cientista. Já imaginou ter que fazer uma interação social com a bactérica o dia inteiro, noooo wayyyyy. 😛

Mas ultimamente as interações interpessoais tem me cansado um pouco, viu? Porque que as pessoas tem que fazer um drama pra tudo? Por que que tem gente que simplesmente não consegue relaxar e ir com a maré? Porque que tem gente que gosta de cansar a beleza alheia? Como diria meu pai, vou alí comprar um cachorro e já volto.

Uma coisa que é treinada aqui a exaustão é a prática pela independência. De todas as coisas que eu venho falhando miseravelmente em evoluir, essa pelo menos eu tenho passado com 10 e com louvor.

Porque é ótimo ter companhia pra fazer as coisas mas tem horas, não sempre, mas tem hora que tudo que você quer e precisa é de um momento com você mesmo. Meeeega cafona isso ,eu sei. Mas assim, cafonices a parte, não tem nada melhor que está confortável na sua pele o suficiente para poder aproveitar sua própria companhia sem depender das outras pessoas.

Comentei aqui num post bem antigo no meu aniversário de 1  mês de USA que eu vinha me surpreendendo em notar que como eu era uma boa companhia pra mim mesmo. 4 meses depois, eu fico surpresa de como ser independente tira um peso das costas e facilita demais a vida.

Não vou entrar no discurso de que ninguém depende de ninguém, isso é bullshit. Todo mundo, em certo nível, seja econômico, espiritual, psicológico tá ligado e dependente de alguém. Mas para as coisas pequenas da vida e do cotidiano, você pode simplesmente escolher ficar chateado porque não tem companhia pra ir no cinema, ou comprar um ticket pra você mesmo e ir ver seu filme feliz. Ou no meu caso, um show na broadway.

Se eu pudesse comprar um microscópio e colocar nas pessoas para fazer uma análise comportamental (me achando A piscóloga) eu ia notar que as pessoas que mais clamam mudo afora que são independentes são as que mais precisam de um suporte psicológico de outras pessoas e que normalmente fazem isso a base da força. Não a fisica, mas pela personalidade forte.

Assim fica fácil ser dependente quando se manipula todo mundo ao redor para que  seja feita a vossa vontade. Ser dependente as custas dos outros realmente é mole mole, fácil fácil (direto dos anos 90 essa aí :P).

Assim como as pessoas que adoram dizer as verdades inconvenientes ou se dizem mega honestas são as primeiras a não gostar de ouvir a verdade quando alguém se mostra disposto a dizer. Ironias da vida…

Na verdade, como diria meu mordomo preferido, o Alfred, tem gente que só quer ver o circo pegar fogo. Tem gente que vai fazer questão de migalhas ou só vai querer se mover quando algo for extremamente conveniente para eles mesmo. Simples assim.

Por isso que as vezes as pessoas me cansam viu. Sei que a maioria dos posts de au pair vem falando das pessoas maravilhosas que a gente conhece e é verdade. Conheci pessoas maravilhosas aqui, que sem eu ter nada para oferecer em troca me ofereceram ajuda, um ombro e uma palavra na hora que eu mais precisei.

Mas tem hora que tudo que eu preciso é estar sozinha com meu computador, meu café do starbucks, meu cartão pra fazer umas comprinhas (que não tenho gente, é só pra fazer charme =P) pra sentir um pouco dessa independência e liberdade conquistada e apreciada nesses 4 árduos (só pra fazer um drama) meses.

beijos pra quem fica!

Ps.: de qualquer forma, ainda vou fazer um post agradecendo a TODO MUNDO que ficou comigo durante a fase dark da minha vida auperiana. Ainda bem que se relacionar com pessoas é assim, cheio de surpresas 😀

Ps2: esse post terminou totalmente bipolar. Eu comecei falando uma coisa, fui falando outra e terminei com uma idéia totalmente oposta daquilo do que eu tinha dito antes. Mas vocês entenderam, não entenderam? #MetarmofoseAmbulanteFeelings

Ps3: sem contar que o título ficou meio perdido alí, sabe, meio sem a ver com o texto. Já falei que o título é a pior parte pra mim? Coisa louca isso, u mtexto gigante eu sou capaz de vomitar ele em 5 minutos. Mas a droga de um título, levo o dia inteiro pra pensar nele ¬¬

Ps4.: parei gente, podem sair do blog que não tem mais nada por hoje 😛

É tempo de pensar

Nada como momentos conturbados pra você dar uma nova perspectiva para a vida. É tempo de pensar!

Rematch aí na cara e a possibilidade de voltar para o Brasil se tornou cada vez mais real. No meio da crise, que foi se agravando com o tempo, tudo parecia muito ruim e impossível de aguentar, correr o risco de interromper o programa nem me impediu de pedir rematch. Quando se está disposto a correr esse risco é porque a situação se tornou insustentável.

Depois com a cabeça mais fria bate aquele pensamento: será que fiz merda? E aí lembrei o quanto foi difícil chegar até aqui, o quanto batalhei. Um ano economizando dinheiro, sem comprar nada, frequentando auto escola, estudando aquele livrinho do detran igual uma doida e ficando mega entediada nas aulas.

Precisava passar na prova prática do detran, mas fui reprovada. Nem me permiti respirar. Fui em casa pegar dinheiro e pagar o duda novamente pra poder agendar a nova data que seria um mês depois. E bora pagar mais aulas práticas, e o carro para a prova. E mais um mês de angustia, tudo dependia daquela bendita prova.

Passei. Me lembro que foi um dos momentos mais feliz desse meu processo todo. Acho que fiquei até mais feliz do que quando o visto saiu. Quem conhece o Detran RJ sabe que lá é maior loteria, do nada eles não vão com a tua cara e te reprovam (porque né, pra rir, tem que fazer rir). Uma etapa a menos.

Levou cinco dias úteis pra carteira sair. Busquei ela numa quinta-feira, na sexta estava eu na agência com meu application físico todo preenchido. Já estava tudo prontinho, só faltava mesmo a danada da carteira de motorista. Não mais!

E aí vem a espera do aceite da AuPairCare. Quem lê o blog desde o início (parece que fazem aaaanos que dei início ao Right Track) acompanhou meu drama com toda essa história de espera pelo aceite da APC. Foram mais de dois meses. teve uma época que falei, pronto eles não vão me dar Ok.

Alívio? Alívio nada, e a espera pelo contato das famílias? Uma semana e nada. São dias que você entra no e-mail o tempo todo, ou melhor, você nunca fecha sua inbox. Ansiedade reinando geral. E eu correndo contra o tempo, porque já tinha 26 anos. Tinha que ir naquele ano, era isso!

Até que comecei a conversar com as famílias, parecia que agora as coisas estavam andando. Até que em menos de um mês, pá! Fechei meu match! Porra, finalmente, agora era real! Aí vamos as burocracias, visto, PID, etc…

Realmente foram muitas emoções pra chegar aqui: expectativa a mil. Minha maior preocupação era com a direção. Tinha prática quase nenhuma, e nem me garantia muito. Ficava com medo de pegar no carro no Rio. Coisa que foi devidamente omitida no application e pensei comigo mesma, vou aprender a dirigir na marra!

Vou ser a melhor motorista e vai ser assim na pressão. E assim foi! Três meses depois dirijo prestando atenção no GPS, cantando música no rádio, demônios crianças tocando terror no carro, assoviando e chupando cana. Ah! E ainda descobri que adoro dirigir, acho super terapeutico.

Lembro do primeiro dia que cheguei aqui e fofo me colocou pra dirigir. Sim, foi no primeiro dia mesmo, aquele que você conhece a família. Eu super cansada fui mostrar pra ele minhas habilidades na direção. Primeira impressão da fofaiada, uns sem noção foda, custava me deixar descansar? Relevemos. Perna tremia tanto, que acho que o carro só não morreu porque era automático.

Ah! E tem isso ainda, meu fofo é mega chato com direção. Pra ele ninguém dirige bem. Foi tenso, mas deu certo. Nada como a força de vontade e um carro automático pra te ajudar. No final das contas ele me acha a melhor motorista, a pessoa mais segura e confiante na direção. Ponto pra mim o/ Desafio aceito, desafio superado!

Nossa como devaguei…  mas tudo isso pra eu recordar de como foi difícil chegar aqui. Três meses se passaram e já me sinto 10 anos mais velha (a rainha do dramqueen). Um dia tava achando super engraçado olhar as fotos no aeroporto de quando chegou eu e as meninas para o treinamento. Todo mundo animado com as expectativas lá em cima. Todo mundo ingênuo e confiante sem ter a menor idéia da onde estaria se metendo.

No aeroporto. Pura animação a trêss meses atrás

No meio da crise, pude avaliar meus erros, aonde devia melhorar. Lembrar dos meu objetivos e o que eu pretendia alcançar quando decidi vir pra cá. Não vou querer interromper a experiência por mais foda que isso aqui seja, mas eu tenho um objetivo, e por ele vale a pena ficar aqui (fora os passeios, as viagens, as compras :P).

Deu pra colocar a cabeça no lugar e parar de frescura. De reclamar da vida a toa, de ficar de mimimi, e esse ciclo vicioso que é au pair falar da própria vida de au pair. Parar de agir como coitadinha. Focar, minha filha, focar! No melhor estilo: se componha mulher! ( gente, frase de Os Incríveis).

 De ser mais focada e saber que isso aqui é só um caminho e não o fim. Lembrar de olhar sempre pra frente e que isso aqui é temporário, mas que vai valer a pena. Pela experiência de vida, pra amadurecer e mudar aquilo que não está dando certo.

Eu tenho mania de cometer os mesmo erros sempre. Sempre prometo pra mim mesma que vou mudar mas na hora do vamos ver tô lá garoteando, batendo na mesma tecla, com os mesmos hábitos ruins. Como diria a Oprah (agora virou auto ajuda foda, até a Oprah tô citando) as vezes a vida sussurra pra você, daí não ouve. Ela vai dar um berro e você torna a ignorar, então ela te bate na cara com um tijolo pra ver se você fica esperto de uma vez.

Olha eu aqui de cara inchada! É agora ou nunca, a mudança de comportamento.

Como fui eu que pedi rematch, em meio a uma crise braba de homesick (que se arrastou desde a minha volta do meu isolamento em Vermont) logo em seguida fiquei me perguntando: tomei a decisão certa? Isso era o que mais me corroia. Porque com o rematch veio a possibilidade de acabar tudo pelo que tinha lutado.

Corroia. Não mais, porque decisão tomada bora pra frente. Dava pra gerencia? Acho que até dava, mas agora foi e não dá mais pra ficar chorando pelo leite derramado. Até porque, tudo é uma questão de perspectiva.

Foi uma decisão certa? Bom, se eu fechasse um match rápido com uma família maravilhosa, sim foi. Match demorado pra porra (olha aí Murphy agarrado comigo, sempre!), com possibilidade de voltar para o Brasil… é não parece que foi. Mas só saberei dizer depois.

Já fiz tudo que podia fazer. Agora é sentar e esperar. Até porque a família topou me deixar aqui por esse mês e aí eu vou procurando uma nova família (bonzinhos? Nem tanto, a nova colega de profissão só chega no mês que vem então lógico que eles precisam de alguém pra ficar. E eu preciso de um lugar pra morar, olha aí, combinou certinho :P).

Mas é isso minha gente, vida que se segue. Graças a Deus tem muita gente me dando força, me dando ombro nessas horas mais difícl que é deitar olhar pra tudo e ver, caraca nem vou está mais aqui, nada disso me pertence. Você se sente maior homeless, e fica confuso quanto a decisão. Agora não mais, porque né, já foi! E que venha o próximo desafio, parede de escudo neles!

Beijos pra quem fica!

Think Different

Semana passada foi uma semana bem difícil, uma semana de tomada de decisão. Muitas de vocês leitores (e amigos também) já sabem que eu entrei de rematch. Apesar de tudo o que está acontecendo agora, eu não vim hoje aqui no blog falar sobre isso.

Prometo pra vocês que conto o que aconteceu, o porque e como vai terminar essa história (ainda não tenho noção do que será da minha vida auperiana) mas em outra oportunidade. Hoje estou aqui pra falar de outra coisa, aliás outra pessoa.

Semana passada no auge da crise aqui, em meio a uma batalha pelo rematch (eu que pedi), numa quarta-feria (um dia depois de ter acompanhado os novos lançamentos da Apple) eu resolvi, ao invés de ligar o computador (porque bate ansiedade) eu decidi ligar a televisão pra espairecer.

Em meio as zapiadas eis que uma notícia me atinge no meio da cara assim, no susto: a morte de Steve Jobs.

Fiquei pensando se deveria escrever sobre isso (toda a blogosfera já fez isso aparentemente) e eu aqui de atrasilda. Então decidi que sim, porque olhando os postas antigos eu encontrei um beeem no comecinho do blog ainda, quando estava esperando a agência me dar o Ok para ficar on line.

O nome do post se chama Stay Hungry, saty foolish! E foi publicado no dia 1º de abril.

Nesse post eu coloquei um dos discursos mais famosos de Steve Jobs, em Standford em 2005. Eu tive oportunidade de assistir na minha aula de novo no sábado, e não teve como segurar, eu sempre choro. E revendo ele assim depois desse tempo todo, me dei conta que caramba, como ele foi importante na minha vida.

Foi assistindo esse vídeo que decidi dar uma guinada na vida (tá não foi só isso). Lembro que estava muito desanimada com o curso de Direito, que estava sem saber pra onde ir, mas não queria continuar seguindo aquele caminho.  Esse discurso sem dúvida teve uma grande influência sobre mim, e com certeza foi parte da minha decisão de largar tudo e ir ser au pair.

Foi também por causa desse discurso que levei o blog adiante. Muita gente me pergunta como você consegue postar tanto? Só sendo au pair pra saber como nosso tempo aqui é curto (ou então só ler o post da minha rotina). Minha resposta é sempre: porque simplesmente gosto. Gosto de poder me dedicar algo que faço com prazer. E sempre lembro do Steve Jobs falando: procure algo pra se dedicar que você realmente goste, mesmo não sabendo aonde isso vai te levar algum dia.

É por isso que muitas vezes fico até duas, três horas da manhã preparando post pra semana inteira. É por isso que o blog quase nunca fica parado, mesmo eu viajando, sem internet, sem computador, sem tempo, ou ainda mesmo semana passada que eu comecei com todo o processo de rematch, o blog nunca parou. Faço com prazer e não precisa de ninguém me pagando pra eu dar continuidade a ele (claro que se alguém quisesse pagar eu não iria reclamar :P).

Porque se foi uma das coisas que aprendi lendo a biografia de Steve Jobs, foi nunca sossegar, nunca desisti de procurar algo que você realmente goste de fazer ou nunca cansar de se dedicar a isso.  Como vocês perceberam eu gosto de escrever, e não sei aonde isso me levará algum dia, ou se levará, mas vou fazendo porque gosto. Assim como um dia achei que ser au pair fosse o certo a fazer, também não sei qual será o resultado disso para o futuro, mas vou seguindo meu taco (que as vezes falha, mas deixa queto :P).

Pra as pessoas que querem ser au pair eu digo (não seja :P) ai pair é o caminho e não o meio. Você vai se perdendo entre fraldas, manha, e essas coisas de vida de babá então trace seu objetivo. não se perca nesse mundo de falar mal de fofaida, night na sexta, hangover no sábado e compras no domingo. Aproveite essa experiência também em outra coisas. #ficaadica

Pra quem pensa que Steve Jobs hoje é importante porque apenas criou o Ipad, eu não tenho muito o que dizer, sorry. Pra mim Steve Jobs é uma daquelas poucas pessoas no mundo que nasce pra fazer a diferencia. É visionário, que acreditou no que fazia e foi em frente.

 Pra quem acha que Steve Jobs só se tornou importante porque criou o Ipod, desculpa, mas hoje você só está lendo esse blog, num computador por causa da empresa que Steve Jobs criou nos idos dos anos 70, na garagem dos pais. Quando ainda era um moleque e resolveu desafiar a IBM (que acreditava que pessoas não precisava de um computador pessoal).

Eu fiquei arrasada com a notícia da sua morte, e é claro que com todo o rolo de rematch eu já estava tendendo a um draminha e mesmo sabendo que ele iria morrer (assim que ele se aposentou, minha fofa que trabalha com cancer falou, ele vai morrer em pouco tempo) ainda sim fiquei arrasada. Eu precisava de uma boa desculpa pra chorar, quando dei de cara com a morte dele na televisão, pronto abriu a tornerinha.

Á Steve Jobs eu só tenho que agradecer: obrigada pelo computador pessoal, pelas fontes bonitas nas nossas interfaces, pelo sistema operacional, pelo mouse (tá bom, isso foi copiado da xerox), pelo Ipod (e toda a mudança na industria fonográfica que seguiu com seu advento), pelo primeiro celular touchscreen que deu certo, o Iphone, e também claro pelo Ipad.

Mas principalmente, obrigada por compartilhar sua visão, por não me deixar seguir o sonhos de outras pessoas, por me não me deixar acomodar, por me querer fazer ficar sempre faminta e boba, por querer mudar o mundo, por me fazer pensar diferente…

 “… porque as pessoas loucas o suficiente pra achar que podem mudar o mundo são aquelas que de fato mudam.”

                          Pense diferente! Think different!

“Here’s to the crazy ones. The misfits. The rebels. The troublemakers. The round pegs in the square holes. The ones who see things differently. They’re not fond of rules, and they have no respect for the status quo. You can quote them, disagree with them, glorify and vilify them. About the only thing you can’t do is ignore them because they change things. They push the human race forward. And while some may see them as crazy, we see genius. Because the people who are crazy enough to think they can change the world, are the ones who do.”

“Think Different” foi um comercial muito famoso da Apple, vinculado acho que em 1997. Foi parte de uma grande reposição de marca da empresa. Na época Steve Jobs tinha acabado de retornar a Apple (ele foi demitido da própria empresa nos anos 80). Mais inspirador impossível!

Na minha humilde opinião acho que esse sempre será o maior legado de Steve Jobs, ele não vendia produto mas uma visão, de que podemos impulsionar a humanidade pra frente. E de fazer a diferença!

Obrigada por tudo Steve. #RIP

Steve Jobs 1955-2011

 

Stay Hungy! Stay Foolish!

 

 

 

Quem não cria, copia :P

Quanto tempo pessoas!

Semana agitada acabou dando nisso: blog parado. Sim, porque pra mim 5 dias sem nenhum post é muita coisa. Já falei pra vocês que adoro essa brincadeira aqui, e mesmo que seja um blog pequeno de poucas visualizações, eu sempre faço questão de atualizar o blog o máximo que pode.

Futucando lá o grupo, esbarrei com um texto do Luca (eu te avisei que iria fazer um Crtl C – Crtl V) e vou deixar aqui de reflexão para as futuras au pairs e para mim também, porque não?! 😛

“Foi por isso que eu decidi ser au pair, por mais que alguns não concordem, a maioria aqui tem uma vida confortável no Brasil e quase nenhum está preparado para ser um au pair.

No Brasil aqui a maioria está com os pais, vive bem e tem uma vida sustentável, muitos trabalham e fazem faculdade, mas por mais que não concordem, isso não é a vida adulta, é apenas um estágio de transição. 

Aqui você está só, por si só, você só depende de você mesmo e tem que aprender a agir sozinho (a), pela primeira vez só depende da sua pessoa ir para frente, é aqui separamos quem está pronto para a vida adulta e quem quer ficar no mundinhos das fadas, ser au pair é ser subnegado, é sofrer seja por achar que está trabalhando muito, que não é justo, que não é bem tratado ou simplesmente por sentir falta da família.

É fazer tudo e ver como era difícil a vida daquela sua empregada, daquela sua babá, daquela pessoa que muitos deixaram pra baixo e hoje você faz e vê como é difícil, cansativo e DIGNO é, ser au pair é crescer. 

Não é cuidar de criançar, é simplesmente ser pai, mãe, irmão, irmã e amigo ao mesmo tempo, é ajudar no crescimento pessoal seu e das crianças. Você pode pagar para fazer um curso de línguas no Canadá, pode pagar para passar 3 meses passeando na Inglaterra com a desculpa de aprender inglês, mas existe uma coisa mai importante que se aprende sendo au pair, o valor do mundo.”

                             Beijo pra quem fica!

Na Parede de Escudo

Paredes de escudos, segundo a wikipedia (preguiça de elaborar minha própria definição) é uma estratégia militar usada na Antiguidade e na Idade Média, que consistia uma linha de homens armados de escudo, espadas ou lança.

Esses homens ficavam juntinhos (agora é de minha autoria, tá gente?) protegendo o camarada do lado com o seu escudo e quando se abria guarda atacava com a lança. A parede de escudo ficava ali na comissão de frente da guerra, era matar ou morrer #CapitãoNascimentoFeelings.

This is Spartas!!

 Quando decidi que seria Au Pair eu não fazia menor idéia da onde estava me metendo. Porque que alguém em sã consciência abandona tudo, as pessoas, o conforto do seu lar, a zona de conforto em geral, a carreira, pra virar babá num outro país e ir morar com gente que nunca viu na vida?

Do dia pra noite você tem uma rotina completamente diferente, um trabalho que nunca fez antes (e que não pensaria em fazer se na terrinha estivesse), morando meio que “de favor” na casa dessas pessoas, que alias, tem o poder da lei. É você que segue as leis, e que tem o trabalho de se adaptar a elas. No melhor estilo manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Não vou negar, é muito estresse. Não é a toa que muita menina pira quando chega aqui. Se você tiver a sorte de fechar com uma família bem boa, então sua experiência nesse pais, tem 80% de chance de ser muito boa, ficando apenas os 20% dependendo de você mesmo.

Vou até mudar de parágrafo pra fazer aquele alerta que todo mundo que chega aqui faz, mas que quando estamos no Brasil, no auge da nossa empolgação, a gente ignora: vale a pena investir tempo e energia na escolha de família. Não fecha na empolgação.

Mas agora, se você não tem uma família parceira e legal, se tu pega uma família escrota que (desculpa aí mãe) só quer f*der com você (e sem vazilina e com areia, por favor!), grandes chances de dar merda. Além do estresse de ter que lidar com a situação nova, uma eventual homesick que pode bater (e bate) você ainda tem que lidar com sem noçãozice, ou pior, mal caratismo mesmo.

Infelizmente essa é uma triste realidade da maioria das Au Pairs. Tá, não tenho nenhuma estatistica pra falar, nem nada cientificamente comprovado se é a maioria, mas tem bastante gente nessa situação por aí.

Ser Au Pair é não ter que engolir um sapo só, mas um brejo inteiro. Não é matar um leão por dia, mas uma matilha inteira.

É ter em mente que assim como as Au Pairs dão uma mentida enfeitada no seus Apps, as famílias também fazem o mesmo. Só que claro, a corda sempre vai roer para o lado mais fraco. A Au Pair é sempre a parte  mais vulnerável da situação. Se amanhã a família de botar na rua e a gência virar as costas, você está por sua conta.

Aqui, algumas da vezes, somos tratadas como quem vem pra cá precisando muito de dinheiro, sabe galera do terceiro mundo vindo tentar a vida no mundo desenvolvido. Tem que ter em mente que a maioria das familias não querem um novo membro na família, muito menos dividir diferenças cultural, eles só querem uma babá.

Muitas familias acham que Au Pair não sente frio, cansaço, medo, fome, que consegue se dividir em duas até três pra dar conta de tudo. Que não precisa estudar, ou ter vida social.

A mão de obra de uma Au Pair é bem barata pra família, e normalmente as meninas vem pra cá com a cultura do medo de voltar. Então acabam se submetendo a certas humilhações com medo do tão rematch.

As agencias odeiam rematchs e se sua LCC não for tranquila ou estiver afim de ajudar, grandes chances de você voltar. Sim, isso mesmo. Nem parece que é um programa de intercâmbio e que você pagou para está aqui.

A idéia desse post surgiu numa conversa com um amigo (outra vez, vou pedir pra ele patrocinar idéias pra cá :P), que finalizou minha choradeira de pitangas resumindo assim, nas palavras deles (sim um Ctrl C – Ctrl V):

“Quando eu li sobre a parede de escudos, a primeira vez eu passei a pensar quase tudo nestes termos. Aliás, tudo na vida pode ser pensado em termos de guerra e estratégia de guerra quando eu ficava imaginando aquela cena, aquele barulho de metal contra metal, o pânico, o medo, o suor, aquelas estocaas, até o momento em que o Uthred consegue estocar o adversário penetrar a parede de escudos e aí conseguia lutar com uma naturalidade como se estivesse dançando. Ele chama “a dança da batalha.”

E tem que gostar de arrancar cabeças, de sentir o sangue jorrar, o medo e o suor. E, sem brincadeira alguma, hoje eu sempre penso nas coisas como paredes de escudo.”

Ser Au Pair é se enfiar numa parede de escudo. É fazer a dança da batalha diariamente. É aprender na prática o significado da frase “standing for yourself” porque aqui não vai ter ninguém pra defender o seu lado, se você não for lá e gritar pelos seus direitos eles serão deliberadamente ignorados.

É saber engolir orgulho quando uma menina de 4 anos grita pra você e você não pode fazer nadar. ou quando você acaba de limpar faxinar o quarto da guria e ela simplesmente ignora e deixa uma nojeira cinco minutos depois. Ou ouvir desaforo de pirralhada.

É saber ocupar a mente quando você teve que ficar duas semanas longe de tudo e de todos, totalmente inapropriado no lugar, e você a única com hora pra levantar.

É ser mais humilde, saber tratar o varredor da rua igual ao doutor.

É ser criativo para pensar numa forma de não deixar a rotina ficar tão sacal.

È ter jogo de cintura na hora de abordar assuntos desagradáveis, ou saber lidar com uma situação difícil.

É saber criar laços parcerísiticos com pessoas que você viu pela primeira vez porque elas serão sua família aqui, e de vez em sempre uma vai ter que segurar a barra da outra.

É saber transformar todas essa “experiência de guerra” em algo positivo. Sabe-se lá como.

Então você aí leitora(o), provável futura Au Pair, não quero desanimar ninguém, a experiência é válida. Até porque, para a maioria de nos, ser Au Pair era o único jeito de fazer intercâmbio (presente!).

Mas quando vier pra cá, tenha em mente: Parede de escudo!!

Beijos pra quem fica!!

Ps.: Obrigada Renato, amigo e leitor fiel, pela inspiração e pelas palavras 😀

O treinamento – considerações finais

Olá pessoas!!

Vocês devem está se perguntando, porque que essa doida não para de falar nesse bendito treinamento? Só teve isso de experiência até agora? Bem, sim e não. Pois é, juro que nem eu tô aguentando mais escrever sobre isso, mas é o ultimo 😛

Como vocês podem ter notado, eu sou um pouco perfeccionista e acabo dando mais detalhe do que precisava. Os post acabaram ficando tão grandes que tive que ir dividindo pra não ficar cansativo. Contei das regras, pra que que serve e até como funciona a grade das aulas. Mesmo assim ainda acho que não esgotei o tema (a louca por escrever).

Agora nesse aqui vou devagar um pouco (tava demorando) sobre o treinamento em si, e para que que ele realmente serve e como tirar o maior proveito disso.

A gente, nós ser humanos passivos a erros, temos idéias pré-concebidas de tudo, ou quase tudo. Sem mesmo antes de experimentar ou até mesmo de conferir se está certo ou não, temos lá nas nossas cabecinhas duras uma opinião sobre o assunto.

Quando cheguei no Hotel eu já tinha algumas idéias e tal do treinamento de como seria de tanto que li nos blogs da vida. Mas a experiência cada um faz a sua, então resolvi fazer um pouco diferente, resolvi aproveitar o treinamento do meu jeito.

Explico: eu tinha lido em vários blogs de como as alemãs eram umas bitchs que se achavam e não se misturavam. Mas a primeira coisa que percebi foi que nós brasileiras também não nos misturavam. Na verdade, qualquer homem médio, se você parar pra reparar,  tende a se fechar naquilo que lhe é conhecido e familiar.

É natural que as alemãs se fechem com elas mesmas, pois estavam em maior número, é natural que elas se juntem com elas mesmas. Da mesma forma que as colombianas, por exemplo, deviam pensar a mesma coisa de nós brasileiras, pois estávamos sempre em patota também, tagarelando português o tempo todo (que é proibido, by the way, só pode falar inglês lá).

Não é a toa que as colombianas, mexicanas e argentinas formaram seu próprio grupo, mas as alemãs só chamam mais atenção por estarem em maior quantidade. Tudo bem que todo mundo é diferente culturalmente falando, assim como achamos as alemãs meio arrogantes, as meninas do japão devem ter achado as brasileiras mal educadas e escandalosas.

Pensando nesse assunto antes de ir eu resolvi fazer um experimento: como já tinha conhecido as meninas da terrinha já no aeroporto, e elas eram demais, sabia que teria para quem correr sempre. Então resolvi tentar sempre sentar num lugar diferente, sozinha, em cada aula.

Ía na cara dura mesmo, sozinha, via um monte de meninas que nunca vi na vida, falando muitas vezes alemão, e perguntava ” Is this sit taken?”. A resposta sempre era não, eu sentava e pronto, quando eu via tava eu lá tagarelando. O resultado disso, conheci gente muito legal de todo canto do mundo. Das mais desinibidas como as mais tímidas, como o povo lá pras bandas da Ásia.

Brasil, Coréia do Sul, Colômbia, Alemanha e EUA, tudo junto e misturado

Foi bem legal fazer isso. Claro que também era muito legal ir comer com as minhas meninas brasileira. Eu sempre comia com brasileiras porque assim eu podia falar mal da comida com mais liberdade e em português. 😛

E o melhor de tudo: foi a quebra de tabú. Uma das pessoas mais legais que conheci foi uma das minhas companheiras de quarto que era alemã. Ela era demais, gente muito fina, super nice guy. Prestativa até o talo, até quis me emprestar um biquíni quando falei que tinha esquecido o meu na outra mala estocada. Deu vontade de responder a ela que na minha terra não se empresta biquíni, mas tudo bem, ficou a boa vontade dela de me ajudar. Enfim, ela e a amiga dela foram umas das pessoas mais legais do treinamento que conheci.

Gente chata existe em tudo quanto é lugar, de tudo quanto é canto. A gente estranha um pouco os costumes mesmo, super normal (o de não tomar banho me incomoda um pouco, vou confessar), mas deixo ai a sugestão para vocês fazerem a mesma coisa.

Aproveitem esses dias de férias no treinamento para fazerem amizade independente da nacionalidade da pessoa. Sugiro que faça amizade com o grupo que more perto de você, vai por mim, você vai precisar de companhia quando bater aquela carência. Ou isso, ou você vai acabar querendo abraçar o cesto de roupa suja.

Comecem a experiência de ser au pair, do intercâmbio, da saída da zona de conforto no próprio treinamento, acho que será bem útil para sua vida com a family mais tarde.

E tenho dito, minha gente! Prometo que esse foi o último post sobre o treinamento, a partir de agora serão as novidades daqui direto de Chappaqua, NY 😛

Beijo pra quem fica!!

Ps: fazer favor de não reparar em imagem repetida usada em post anterior. Já ta tarde e eu estava sem imaginação de que imagem colocar aqui.

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