Elementar minha cara au pair

Saiba que quando você for au pair querida aspira, você vai dizer tchau pra sua privacidade… true story!

Vamos a mais um capítulo do “desvendando o maravilhoso mundo mágico das au pairs”, nos bastidores da vida linda e maravilhosa que a agência te vende. O intercâmbio perfeito que você paga pouco (true), faz parte da família (maior mentira ever), tem 1 ano maravilhoso (com muitos aborrecimentos e rugas novas) e ainda vai poder viajar muito (alguém me avisa quando eu vou poder viajar já que eu trabalhei todos os feriados, e ainda alguns sábados…) e trabalha muito (isso é mentira, a verdade é que aqui você praticamente SÓ trabalha, é trabalho pra caraaai), e não, não dá pra ficar rica com o salário.

Enfim, sei que tem muitas aspirantes que não gostam quando as au pairs reclamam das suas vidas, que pensam que todo mundo aqui é fresco, e que com elas será tudo diferente. Aham Cláudia… eu também fui aspira e também achei tudo isso.

E quando eu cheguei aqui a primeira coisa que eu pensei foi: mas por que que nos milhões de blogs que eu li ninguém falava a verdade? Parecia realmente um mundo mágico… e por isso que acho que quanto mais contato com a realidade se tem, melhor que vocês que ainda estão por vir podem se preparar para o que te esperam. Já vão treinando aí, a primeira coisa a aprender a fazer é saber dizer não, grande parte das fofaidas são abusadas, e quanto mais pró ativo você for, mais eles vão te f*der, e pra variar, sem nunca nem te cortejar ou te beijar.

Mas hoje eu vim falar de outro ponto muito importante que uma aspira tem que saber a se desapegar, a privacidade. Será 1 ano (ou se você for sortuda de pegar uma senhora fofaiada ou maluca o suficiente será mais tempo) que você viverá de hóspede na casa dos outros ou pior ainda, tem família que trata a au pair como se ela morasse de favor.

Privacidade: a au pair teoricamente tem que ter um lugar digno pra ela ficar, a única exigência da agência é que tenha uma cama no quarto. Todo o resto é luxo.

Na outra família por exemplo, eu tinha uma cama de solteira e um gaveteiro, num espaço tão minúsculo, mas tão minúsculo que mal cabia eu lá dentro e olha que eu sou bem petit. Não tinha janelas e o detalhe mais lindo de todos: a porta era de vidro. Privacidade? Bom, acho que quando eu desci do avião em Miami, ela pegou o avião de volta para o Rio, só pode.

Era um micro quarto, no porão. Só que o porão todo era um playroom, cheio de porcarias das demônias. Lá no fundão, nada perto da minha senzala ficava um mini armário que era pra ser da au pair (segundo a antiga au pair, foi uma exigência da primeira au pair, porque nem isso tinha). E tinha uma televisão (que tinha um quadrado preto no meio da tela, que depois de um tempo até esqueci ele lá) , mais uma mesa de brinquedo das crianças e atrás uns pufs mega desconfortáveis.

a ex-senzala

A porta do porão não tinha tranca e dava de cara pra porta da rua. Assim como a minha porta de vidro também não tinha tranca. Normalmente eu ficava sozinha no porão, mas e quando tinha gente nele? Sim, eu ficava na minha micro gaiola, com porta devidro. E como eu fazia pra me trocar? Tinha que ir para o banheiro.

Tinha um banheiro no porão que eu limpava. Sempre que eu voltava da minha temporada no cafofo da Dudi (ahhh saudades)o banheiro tinha sido usado, tinha xixi espalhado por tudo quanto é lado e nunca davam descargaga. Sério que quando eu falo que é vida de m*rda tem gente acha que eu exagero… enfim, mas voltando, aí coloquei um recado, pedindo que por favor, após usar que descem descarga, igual em banheiro público. Por um curto tempo funcionou, depois fui embora, aí f*da-se né…

Mas o melhor ainda não acabou, a porta do porão que dava pra rua tinha que ficar aberta, e quando digo aberta quero dizer, escancarada. E aí, quem entrava na casa, dava de cara com meu quarto de porta de vidro. A porta só podia ser fechada quando eu tava no porão. Quando não, tinha que ficar aberta. Por quê? Esquizofrenia do meu ex-fofo. Porque a casa era dele, e segundo eles, todas as outras au pairs faziam isso.

Como eles acham que au pair é tudo igual, que a gente tem um modelo só de fabricação, e como ninguém nunca se incomodou, eu não tinha direito de me incomodar. E aí ficou a guerra das portas… mas aí eu cansei. Deixei a porta escancarada, não era minha casa e bem feito pra mim, quem mandou ser au pair?

Mas porque eu tô contando isso. Porque vire e mexe a falta de privacidade é uma das coisas mais irritantes que uma limpadora de bunda tem que enfrentar. você vê a parada errada e  não pode falar porque você não tá na sua casa.

E hoje isso me irritou muito. Aqui, na nova família.

Ontem foi mais um daqueles dias em que tudo deu errado. Tudo mesmo. Pra piorar eu sai de casa e esqueci a chave e o GPS. Primeiro fiquei perdida por aí, depois trancada do lado de fora. Fui dormir na cada de uma amiga. Quando a gente entrou no quarto dela bateu uma desconfiança que alguém tinha entrado lá. Como? O computador que não só estava aberto mas também estava ligado.

Bom, todo mundo sabe que o notebook depois de um tempo ligado ele vai desligar sozinho. É a configuração normal de um computador, pelo menos um que seja windons. O dela tava ligado, e a gente tinha ficado fora o dia inteiro.

Não tem nada pior que desconfiar que alguém entrou no seu precioso espaço. Uma sensação de impotência, sensação de homeless horrível. Bom, fizemos um teste e deixamos lá o computador ligado pra saber quanto tempo ele fica ligado até ele adormecer. E chuta? Ele ficou ligado… não desligou. Kuén pra todo mundo!

Aí fica aquele negócio… e agora? Alguém mexeu ou não mexeu aqui? Ela jura que tinha fechado o computador. Eu sou esquecida, não lembro. Fomos olhar a configuração e tava lá, em tantos minutos o computador tem que desligar. Tá, mas por que que quando a gente fez o teste ele não desligou?

Ficamos com a pulga atrás da orelha. Falei pra ela colocar senha no computador, just in case. E fomos dormir.

Manhã seguinte, ela foi trabalhar e eu fui de novo olhar o computador dela, sei lá, ver se tinha alguma pista, indício, olhar o cache, histórico, dá uma de stalker mesmo, mas né, sou noob ao quadrado e minha falta de habilidade em computador não deixou as minhas investigações irem muito longe… elementar meu caro Watson, até porque ela tinha descido e o computador dela estava com senha agora 😛

Eu me arrumei, desci, filei um café da manha e fui pra casa. Milagrosamente não me perdi, só pra descobrir que eu estaria trancada do lado de fora. Sabe a chave? Aquela coisinha mágica que abre todas as portas… pois é? Deixei do lado de dentro. E cadê movimento pela casa?

Né, não tinha. Mandei SMS pra fofa, nada. Tentei ligar. Nada também. Tentei abrir a porta da garagem, mas não funcionou. Tive a brilhante idéia de entrar pela copa e… o alarme disparou. Nice… olha aí a au pair criando problema. Se o alarme fica disparado, a polícia aparece, dá maior problema.

Bom fechei a porta, o alarme parou de gritar. Eu sem sentir mais minhas mãos, no frio da p*rra. Fiquei na dúvida… pô, todos os carros estavam na garagem. Eles tinham que estar em casa… será que ainda estavam dormindo? Pô chatão se eu tiver que acordar a galera… ódio de mim mesma de ter esquecido a p*rra da chave.

Fiquei na dúvida, volto ou não volto pra minha amiga? Queria voltar. Mas eu não tinha dinheiro pra colocar mais gasolina. Coloquei o que tinha usado e foi tudo embora, se eu voltasse eu teria que pegar dinheiro com ela emprestado. Não tinha jeito, voltei para o carro e coloquei o Ipod. Uma hora o povo tinha que acordar… eu pelo menos estaria mais  ou menos aquecida dentro do carro.

A cara de interrogação da vizinha pra mim, me olhando eu andar ao redor da casa. Tentando entrar, alarme disparando e por fim… eu sentadinha no carro.

15 minutos depois (aqueles que parece uma eternidade) fofa me liga e fala que mandou o moleque abrir a porta. Ufa… tava dentro de casa.

Aí subi no quarto. Deixo minha coisas, vou tomar banho e olho pra lixeira. Vejo uma caixa amarela em formato de coração jogada no lixo. Uma muito parecida com a que eu ganhei e mostrei aqui no Valentine’s day. Bom, pode existir mais que uma, né? Afinal, certeza que a Hershel não fez aquela caixa especialmente para mim.

É pessoas, mas a minha caixa, em cima do móvel que eu deixei não estava mais lá. Assim como todos os chocolates também não estavam mais lá. E eu tinha deixado bastante porque eu acho que os chocolates Hershel daqui tem um gosto estranho e eu levo mais tempo pra comer. Sim, alguém entrou no meu quarto, pegou a caixa de bombom e comeu tudo.

Sou só eu que acho isso o cúmulo da invasão? E não é pelos chocolates mas sim o fato de alguém ter estado aqui dentro sem minha presença e ou autorização. O nosso quarto é o único lugar da casa que você fica confortável. O único canto seu, que você tem uma “certa” privacidade.

E aí vocês vão me dizer, ué passa a trancar a porta quando sai. Não dá, as portas aqui só trancam por dentro. Maior coisa de português isso. Porque como só tranca por dentro, adivinha quantas vezes as demônias já se trancaram do lado de dentro dos comodos e a trouxa da au pair ficava implorando pra elas destrancarem?

Eu normalmente tranco meu quarto quando estou nele porque meu moleque entra aqui que nem um trovão, porque como ele já jogou na minha cara algumas vezes, essa aqui não é minha casa e ele tem o direito de entrar no meu quarto quando der na telha. Já tentei explicar milhões de vezes que a banda não toca assim, e tentei explicar porque ele pode sair entrando no quarto dos pais dele e não no meu.

Não deu muito certo, então eu só tranco e f*da-se. Mas e quando eu tô fora? Ai…

Eu tenho quase certeza que foi o moleque que pegou a caixa, mas fica aí a dúvida, ninguém viu? Tinha bastante chocolate nela e ninguém viu ele se entupir de chocolate? E o chocolate estava no alto como ele fez pra pegar?

E assim como foi o chocolate poderia ter sido qualquer outra coisa. Eu tenho uma mini coleção de bonequinhos que até mostrei foto deles aqui, e que eu nunca deixo eles fora da gaveta justamente por isso, por ele cismar que é dele e o medo de não encontrá-los mais aqui quando eu chegar de qualquer lugar. É f*da você não poder colocar seus bonequinhos pra fora. Pequenas faltas nessa vida…

Coisas que eu sempre fiz e vou deixar a dica pra vocês, afinal a gente mora com estranhos e sempre é bom prevenir: nunca deixe seu computador ao alcance de todo mesmo no seu quarto. Se eu vou ficar fora, eu sempre deixo numa gaveta por exemplo, e longe do alcance das crianças que nunca querem ficar contigo na hora do trabalho mas querem ficar no seu quarto quando você tá off ou fora.

Se você for um pouco mais paranóica, coloque senha. Senha é chatão, mas né, aí você tem certeza que ninguém entrou no seu computador.

Cuidado também com os sites que vocês entram. Como a banda é dos seus hosts, eles tem como saber pela troca de dados aonde você tá entrando. Não reclame se você entrou no forshare por exemplo e seu fofo vir te dar esporro. A internet pertence a eles e se eles quiserem eles podem fazer sim esse tipo de controle. Não que isso não seja estranho, mas … de novo essa não é a sua casa.

Não deixe coisas importantes ao alcance. Guarde bem seus documentos, e principalmente o seu DS e seu  passaporte.

Vai sair? Coloque Ipod, Ipad, Iqualquercoisa, kindles, e coisas pessoais dentro de armário, gaveta, não deixe por aí dando bobeira.

E por último, se você tá desconfiando que tem boi na linha, existe o clássico teste do papelzinho na porta pra saber se tem gente entrando no seu quarto. Coloque um pedaço pequeno de papel na porta. Se você voltar e ele tiver lá preso entre a porta significa que ninguém entrou no quarto.

Mas se você chegar e ver que o papel está no chão, é porque alguém abriu a sua porta. O próximo passo é você tentar descobri porque? Au pair e CSI nas horas vagas 😛

Sobre as câmeras. Sim, tem famílias que coloca câmeras espalhadas pela casa pra saber o que a au pair faz com os filhos. Isso pode, é desconfortável mas é válido. Normalmente as famílias não avisam. Então, faça uma varredura pela sala antes de sair desfilando por aí de calcinha enquanto não tem ninguém pela casa.

O que não pode é câmera dentro do seu quarto. Isso não pode! Parece coisa de filme, mas vocês não tem idéia quantas histórias de au pair morando com família doida eu sei. Quantas mensagens no facebook eu recebo de meninas pedindo ajuda ou só querendo desabafar, solicitação em skype ou até os depoimentos no grupo.

Parece que os testes e as entrevistas feitos para participar do programa são realizados mesmo só com as au pairs. As escolhas das famílias são feitas a moda a caraaa…. dando a impressão que a única forma de seleção é o dinheiro. Se a família tem dinheiro pra pagar o programa, beleza, não importando o quão doidos eles são.

E como dira Dorothy, there is no place like home! Não impota aonde seja, mas desde que seja o SEU home.

Beijos suspeitos pra quem fica!

Ps.:  eu achando que meu tempo perdido assistindo Death Note nunca me valeriam de nada 😛

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