Dois pesos, duas medidas

Olá galera, tudo bem?

Começando de bem assim porque até que hoje eu tô bem humorada (costumava ser raro, a rabugice tava ownando tudo). Final de semana maravilhoso, aí a segunda não fica nem tão insuportável assim.

Ontem consegui ir no meu primeiro meeting do meu novo cluster. Primeiro meeting da agência ever pra mim, porque no outro cluster, apesar de ter várias meninas, a vaca da Lcc fazia só coisa chata e ainda mandava um, olha e nem precisa aparecer não, tá? Conclusão, ninguém aparecia de fato.

Enfim, mas cluster novo, vida nova. Então, depois da viagem toda de volta de NY, eu ao invés de ir direto  pra casa, fui pra casa da Lcc aonde seria nossa reunião.

Não tinha menor noção da onde era, ainda não conheço os lugares aqui, e fui confiando cegamente no GPS (que dia desses deu furo comigo e ficamos de mal) mas dessa vez ele fez seu trabalho direitinho e me elevou lindamente no buraco que minha Lcc mora. Maior Hill e sem iluminação. Me senti back to Chappaqua.

Ah, e pra ficar mais linda a história, o meeting era 6 horas da tarde, ou seja, já tava super escuro. Tava com cagaço de pegar estrada no escuro mas foi again, tudo bem.

Aí sai eu do carro, fazendo celular de lanterna, concentração máxima pra não tropeçar e chego lá no lugar, eu e meus cookies. Maior vergonha né, você chegar todo mundo lá reunido e eu não conhecia ninguém. Nossa, entrou eu e minha timidez de mãos dadas, unidas sempre.

O encontro foi muuuito legal. Fizemos joguinho boring, mas pude comer bastante, e conversar com a galera. Trocar telefones, mandei muito o famosos “vamos marcar”, e por aí foi. Saí de lá as 10 horas da noite. E cada uma de nós ( e tem boys no nosso cluster também) ganhou uma lembrancinha de natal, bem simpático.

Lembrancinha da lcc para as au pairs

Cheguei em casa bem tarde, porque a Lcc mora a 40 min daqui. Olha eu sou muito sortuda, porque todo mundo mora daquele lado de lá, e eu a única pra essas bandas da Pensilvânia.

Fica aí a dica meninas, na hora de socializar, ir aos meeting que a sua Lcc faz pode ser uma boa idéia 😀 Certeza que vou no próximo, vai ser no Disney on Ice, acha mesmo que vou perder?

e tinha o nome de cada uma de nós

Bom, mas depois dessa volta toda, vamos ao que interessa. Comentei aqui sobre um papo muito honesto com minha atual fofa e nessa conversa a gente esclareceu umas coisas sobre esse programa de au pair. Acho que deixei um monte de gente curiosa quando comentei sobre isso, e vou contar pra vocês como o programa é vendido para as famílias e aí dá pra perceber o porque que a maioria das famílias tratam as meninas do jeito que sabemos, porque é como se fosse dois programas diferentes.

Não sei como surgiu essa parada de ser au pair, mas para gente (vocês sabem muito bem) o programa é vendido como intercâmbio, onde você mora com a família e toma conta dos filhos. Você será como membro da família, interagindo com eles. Tem que ter um lugar decente pra ficar. Vai ganhar um salário que em três meses vai poder pagar o seu investimento. E vai poder viajar e estudar muito. Tem a bolsa de 500 dolares. Ah claro, e trabalha também , tomando conta das crianças.

Aí a sua reação quando descobre isso é: olhos brilhando pensando, é essa a solução! Posso viajar , estudar ainda, e vou se mega rica com esse salário que tão falando aí visto que não tenho despesa. Demorô, já é! Quando posso mesmo entregar meu application?!

Tá, esse é o lado da au pair. Agora para as famílias, segunda fofa o programa é vendido assim.

A menina vem pra cá exclusivamente para trabalho. A maior da vantagem é a flexibilidade. Ou seja, ela fica a disposição da família. Ela é bem treinada, e está super preparada pra ficar um ano em outro país ( mentira, todo mundo sabe que o treinamento é bem mais ou menos). Então é assim, interesses da família sempre, se sobrar vontade, aí a gente pode té ver o  que é bom para a au pair.

Pra gente, é programa de intercâmbio, de troca de cultura e até de estudo. Para as famílias é só o trabalho e a nossa flexibilidade. Isso porque tem família que nem sabe que a gente pagou pra virmos pra cá. Muita delas acham mesmo que a gente veio pra cá por causa do dinheiro, pra juntar e voltar para nosso país merda de terceiro mundo.

O rematch pode ser mais rápido que o casamento da Kim com o Cris =P

Assim fica difícil, quase que impossível, alinhar as expectativas dessa forma, tanto da au pair  quanto para a família. A família,no seu direito de senhor da senzala que lhe foi outorgado pela agência vai botar pra f#der com a au pair. E a au pair, que tá mega achando que vai tá fazendo intercâmbio vai tá lá reivindicando seus direitos de ter o schedule respeitado, as horas obrigatórias, e até salário, porque tem muita família que simplesmente “esquece” de pagar as meninas.

Para as famílias não é dito que isso seria um programa de intercâmbio sabe? Para elas são só meninas necessitadas que vem para a América trabalhar de qualquer coisa pra ter dinheiro. E aí, se você não tirar na loteria de pegar uma família mais mente aberta e legal, vai ser assim que você será tratada.

E aí, do outro lado, tem a frustração das meninas que chega aqui e descobre que a bolsa estudo não dá pra fazer curso legal, só cursinho ESL de inglês. Que seu salário não é bom, porque você vai entender como a economia daqui funciona e vai ver que não é bem assim. E vai descobri o maior dos gastos que ninguém te falou, a gasolina.

Uma vez que pra ir na esquina você tem que usar o carro, você precisa de combustível, certo? Mas isso é você que custeia, então… o negócio é ficar torcendo para que fique tido tranquilo lá nas arábias e não comece uma nova crise na gasolina 😛

Olhando nesse ponto, acho que agora dá pra entender porque que acontece chuvas de rematch, fica complicado realmente atender a expectativa dos dois lados porque cada um tá esperando uma coisa diferente do lado de lá.

A agência por usa vez meio que lava as mãos, na hora de defender interesses, vai ficar do lado que melhor lhe convém. O lado que melhor convém a agência, sem dúvida é aquele em que o dinheiro é maior, e como a família dá nada mais nada menos que uns 8 mil Bill Clintons para a agência (o nosso dinheiro ficou no Brasil, se ferra aí então) no ano (acho que é ainda mais), claro que no final das contas, a família tá sempre certa.

Por tudo isso, acho que se tivéssemos que apontar um culpado, diria que é a agência e o governo americano que regulou essa bosta de programa que não tem nem o mínimo esforço de preparar as meninas para o que vão de fato encarar (chegou aqui é você e deus) e nem as famílias para receber e conviver com alguém de fora.

Porque a gente já tá careca de ouvir história de família que tacou o terror dna au pair, mas né, também tem muito caso de menina que go crazy também. Que não tem a menor idéia o quão escroto mas de uma responsabilidade enorme esse trabalho de tomar conta de criança ( e empregada nas horas vagas) requer.

Lembro de ouvir que um dos maiores motivos de família pedir rematch era por motivo de roubo. Pode isso não né, pô!! E tem as que não tem preparo nenhum pra lidar com a pressão de morar longe de tudo e de todos, se virar nos trintas sem ajuda de ninguém e conviver com uma cultura totalmente diferente que a dela.

Aí, pra terminar esse post que ficou quase que um tratado, deixou uma DICA importantíssima pra você, cara aspirante a au pair:

Se você é muito apegada a sua vida no Brasil, seus amigos, família, namorado, não consegue ficar sozinha nunca, ou ainda, tem uma rotina confortável e não consegue se imaginar sem isso, então NÃO VENHA!

Sério, na boa, vem não. Putz, pra ficar aqui o tempo todo chorando pelos amigos, porque fulano vai casar, viver de cara no skype e não aproveitar a vida lá fora, ficar repetindo milhões de vezes que seus amigos de verdade estão no Brasil, então nem venha perder seu tempo. Aqui é pra passar perrengue o tempo todo, e sozinha ou com apoio dos seus novos amigos de infância que você conhece todos aqui.

Dica, vem de turista que você vai aproveitar mais, vai amar o país do entretenimento e das compras. Vai voltar com Ipohne, Ipad, Iisso, Iaquilo, toneladas de roupas de marca e várias fotos de dar aquela invejinha básica nos amigos do face (sic).

No mais é isso, deixo aí a reflexão do dia pra vocês. Para casa: refletir bem se ser au pair é para você.

Beijo pra quem fica!

Ps.: tô ficando tão preguiçosa com essa parada de tirar foto. esqueci completamente de tirar foto no cluster meeting.

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1 Comentário (+add yours?)

  1. Karla Nayra
    Dez 19, 2011 @ 21:22:00

    Antes de fechar com uma família tenho uma amiga que já mora nos EUA e me contou essa história. O bom mesmo é deixar as regras bem claras desde o início para não quebrar a cara com a família depois… Muito BAUM esse post

    Responder

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