O dia do último dia

Depois de um mês e duas semanas de rematch, finalmente chegou o dia de dizer tchau Família P. O tão esperado último dia.

E como foi? Bom foi um dia mega normal. Tentei deixar o dia mais normal possível. Levantei, trabalhei e agi como se fosse só mais um dia de trabalho.

Claro que não era. Todas as minhas coisas nem estavam mais em casa. No decorrer daquela mesma semana eu tinha despachado minhas tranqueiras, ou como diria Sr K, meus panos de bunda, todas na casa da Gabi. Minha maior conquista foi conseguir colocar sozinha uma mala pesando uns 4o Kgs no carro. Fiquei uma hora lá, até que consegui.

Fiz isso porque eu não queria aquele clima, sabe, de gente indo embora, pegando mala daqui, ai volta pega outra mala, e as crianças assistindo. Não não não!! Já tava mal não precisava de nada disso. Deixei só minha mochila, um bolsa e uma caixa que eu tinha que colocar nos correios. E só!

Quando deu a hora de limpar a cozinha, limpei tudo e fui avisar a fofa, ó acabei. Tem mais alguma coisa pra fazer? (sei lá porque quis ser tão prestativa aos 45 min do segundo tempo). Ela disse que não. Então falei, tô indo nessa. See you in another life brother 😛 Mentira gente, falei isso não, mas fiquei com uma mini vontade.

Então, aí ela falou pra deixar o celular e a chave do casa e do carro. Falei claro. O que ela achou? Que eu pretendia levar o celular mais horroso da face da terra comigo? (um aff pra esse povo). Avisei só que faria mais uma única ligação para minha amiga vir me buscar.

Mostrei pra ela aonde deixei celular, o carregador e as chaves. Tudo arrumadinho. Ela foi conferir lá na senzala comigo. Mostrei que nada aquilo era meu, tudo meu já tava comigo e o que tinha lá era da nova au pair que tinha desovado as paradas dela lá e da antiga au pair ainda. Meu mesmo nada, não ficou nada. Dei aquela scaneada básica novamente pra garantir.

Aí as demoniazinhas começaram a ficar triste, porque elas perceberam que eu tava indo embora. Perguntaram pra onde (todo mundo achou que eu tava voltando para o Brasil e eu na maior vontade de falar, não quero voltar eu só não quero ficar com vocês :P). Falei que era NJ, e elas fizeram bico, disseram que era longe. falei que o dia que fosse visitar minhas amigas passava lá pra dar um oi (fiz um promessa que sei lá se vou cumprir #shameonme).

Dai elas quiseram ficar comigo, perguntaram se podiam brincar e tal falei claro e fiquei lá com elas no porão enquanto esperava a Gabi me ligar. Dai elas ficaram vigiando a janela, ou o celular pra ver se minha amiga tava lá. Gabi ligou e eu avisei, meninas it’s time. Uma tava distraidaça lá nos brinquedos e aí não me deu mais bola, me deu um abraço e só isso.

A outra saiu correndo e pegou o casaco porque queria ir comigo até a driveway. Fui lá em cima avisar a fofa, e tomei até um susto fofa abriu os as asas  braços pra me dar uma abraço. Reação ÒHHHHHHH! Não esperava mesmo.

Falou que se eu precisasse de qualquer coisa que era pra ligar. Me desejou boa sorte e tudo de bom. Aí gritou pra mais velha me dar tchau, educada que ela só falo que não queria dar tchau. Ai a ex-fofa disse, ahh ela não gosta de despedida. Tá bom ¬¬

Aí peguei minha mochila, minha caixinha e minha bolsa, e fui saindo com uma das pequenininhas a tiracolo. Fofa ainda perguntou se eu precisava de ajuda, disse que não que tava tudo domindao 😛

E saí. Entrei no carro e fiquei meio estática. Sei lá, foi a coisa mais estranha do mundo. Fiquei lá por um tempo sem saber como reagir. Gabi saiu com o carro falando, Luninha quando você recuperar aí a reação a gente fala, sei que deve tá maior barra aí pra você.

Fiquei lá, olhando a janela, olhando as estradas que penei pra aprender pra decorar e dirigir e que agora eu não veria mais. Fiquei pensando no maior esforço pra me adaptar a Chappaqua e que naquele momento estavam sendo  jogados fora e fui colocando todo meu lado drama queen (ja falei que tenho uma veia dramatica pulsante muito forte) pra fora. Depois de 4 meses eu tava indo embora de Chappaqua, tava difícil digerir.

Ai foi um misto mesmo de sentimento: alívio mas receio. O receio de ter que começar tudo de novo. Tudo aquilo que aprendi, que me esforcei depois de 4 meses eu teria que fazer tudo de novo. Sei lá… foi estranho. Tava cansada e teria que achar energia pra começar do zero e sozinha, dessa vez eu tava indo prum lugar que eu não conhecia (e continuo não conhecendo) ninguém.

Dali já comecei a sentir saudade de um monte de coisas: da minha rotina (não da de trabalho) mas da vida em si. Dos lugares que costumava frequentar, das pessoas… de tudo. Não da família, nem da casa em sim mas da vida que fui construindo e que gradualmente foi se tornando real, me fazendo deixar de lado a que eu tinha no Brasil.

Aí puxei um assunto whatever com a Gabi porque não queria ficar em clima de enterro. Era decisão tomada, e agora só me restava torcer para que as coisas melhorassem. Como uma vez me disseram, na falta do que fazer, só nos resta sermos positivos.

Não chorei! Em momento algum. Acho que fiquei meio robótica depois disso tudo. Lembro que antes do rematch eu chorava um dia sim e outro também. Depois veio o rematch e cara, primeira semana eu tava meio acabada.

Mas aí sei lá, ou você fica chorosa pelos cantos ou você sai pra resolver seu problemas. Eu fui resolver o meu. Não dava tempo de chorar. Não chorei mais desde então. Até quando eu tava mega frustrada porque não consegui de jeito nenhum colocar a mala dentro do carro sozinha, sentei e fiquei lá tentando ver com eu faria aquilo.

Parece bobo mas aqui as coisão ficam tudo tão TÃO! Qualquer coisa que eu narre, talvez se eu tivesse ainda no Brasil na expectativa de ser au pair acharia algumas coisas meio bobas mas aqui as pequenezas tomam proporções gigantescas. Vai entender…

A parte mais difícil foi dizer tchau. Despedida sucks e mesmo com toda minha dramatização, tá aí um momento que eu odeio drama: em despedidas.

Quando vim pra cá fiz um pacto com a minha família: não quero ver ninguém chorando desesperadamente no aeroporto. Tô indo fazer algo que sempre quis e que vai ser bom pra mim, não tô indo pra guerra nem pra tortura, então não tem motivo pra gente ficar fazendo vergonha no aeroporto.

Minha família foda que é super entendeu o recado, ficamos lá brincando rindo o tempo todo. Não teve chororô em momento algum.

Me despedir das pessoas de Chappaqua claro, foi bem dificil por tudo que eu passei passei junto daquela galera que ficou comigo até os últimos momentos. Mili quando soube do episódio da mala ainda me deu uma bronca: por que você não me ligou?  Respondi: porque era cedo e sabia que voc~e tava dormindo. Ela continuou: eu acordava ué.

 De novo, nada de chororo mas estávamos todas com os olhos vermelhos e arregalados que não podiamos piscar se não a lágrima caia. Até parecia que eu tava indo para o Arizona e não a somente a 1:30 de distância.

Jantar de despedida no Applebees de Kisco

E assim se encerrou a história da Luna e suas aventuras em Chappaqua, de 17 de julho de 2011 até 19 de Novembro de 2011.

pReciso comentar que tava maior frio e eu com essa blusinha debaixo do outwear por que a espertona aqui tinha guardado absolutamente tudo, tinha ficado só essa pra fora ¬¬

Beijos pra quem fica!

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2 comentários (+add yours?)

  1. R. Tomaz
    Dez 03, 2011 @ 19:39:10

    Três posts desde a cirurgia! Produção a todo vapor.

    Aquele samba: “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

    Responder

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