Aquele do rematch – capítulo 2

E lá vamos nós perder uma horinha de sono pra atualizar a galera do bafão que se deu em seguida da minha surtada e quando eu decidi pedir o rematch finalmente.

A situação era a seguinte: a família mega feliz e satisfeita, me explorando até não poder mais, super satisfeitos com minha mão de obra escrava meu trabalho. Eu mega infeliz, desanimada, desmotivada e querendo jogar tudo para o alto.

Até que veio um feriado que eu nem sabia que existia, o feriado de ano novo judeu, o shabalalaahm ahman (não sei pronunciar =P) e beleza, fomos nós lá comemorar o tal do feriado. Odeio que eles inventaram trabalho que não existia, ao invés de assinar a lei áurea por um dia, mas nãooooo (vou me controlar ao máximo pra não fazer piada politicamente incorreta com judeus) e no sábado, já contei isso aqui, saí do curso mais cedo achando que trabalharia pra nada.

Eu realmente fiquei fora de mim naquele dia. Fofa veio me pedir desculpa e tal mas tarde demais, eu estava no meu limite. Gabi veio ao meu resgate e eu passei o findi  lá na casa dela, que é uma casa bem agitada, diga-se de passagem (4 pentelhos, 2 cachorros e 1 peixe) mas é um encanto de lugar. Que diferença de vibração, sabe qualé?

4 meses depois, se multiplicaram que nem Gramlim

Deu segunda e nossa, cade a vontade de sair da cama pra trabalhar. Aí, passei a mão no telefone e dei bafão com a lcc. Confesso que esse não é a melhor maneira de se tomar uma decisão dessas, não mesmo. Conselho que dou de pessoa mais experiente (se achando a mestre dos magos agora :P) é, faça isso com calma e não de forma afobada, meio que no desespero como eu fiz.

Seja racional e coloque seu motivos de forma esclarecida. Porque que eu tô falando isso? Porque a lcc encarou como uma crise de frescurite aguda e não quis me ajudar. Lavou as mãos foda, e me mandou conversar com a famíla.

Fui lá eu de noite falar com a fofa. Falei, falei, falei, e no final ela mandou um: tá, mas e aí, o que você quer. E eu na lata devolvi: quero rematch. Jurava que naquele momento a mulher iria voar no meu pescoço. Ela fez uma cara de como assim?? como assim você está pensando em sair dessa maravilhosa família?

Aí sei lá se ela pensou isso, mas a cara dela de não acredito nisso, “você não tem motivos nenhum de pedir rematch” foi incrível. Ela ficou sem fala, falou que se era isso que eu queria, que iria falar com fofo e com a lcc no dia seguinte.

E aí que tudo danou. Meu fofo veio ate mim conversar, com papinho mole de advogado que eu saco muito bem. Ele ía jogando os argumentos dele, e eu ía rebatendo com os meus. Até chegou uma hora que ele mandou um : “esse programa é pra você vir aqui trabalhar exclusivamente, não é pra viajar nem estudar”. Pronto, tinha certeza que tava na droga de família errada!

Respondi de volta que eu nem ninguém que vinha pra cá ser au pair tinha um sonho de se tornar babá nos EUA. Ponderei com ele: porque que eu deixaria de ser advogada no Brasil para ser babá nos EUA se nem dinheiro eu ganhava fazendo isso sendo au pair?

Ah cara, já tava segurando muito tempo. Ele merecia ouvir muito mais, mas não queria ter que sair sozinha com minha sacolinha alá chaves nas costas e ficar desabrigada, né? Não tava podendo tanto assim. Enfim, falei , falei, falei e reinforcei o rematch, mesmo contrariando lá os argumentos da fofaiada.

Beleza? Problema resolvido? Claro que não. Porque, uma vez que a família não estava de acordo com o rematch, a agencia simplesmente não te coloca em rematch. Tipo meio que uma punição, eles colocam seu caso em avaliação. Eu precisei fazer uma carta explicando os motivos que eu queria o rematch.

A suprema corte da APC iria avaliar minha carta para analisar se eu tinha motivos suficiente para eu pedi rematch. Ou isso, ou então eu seria expulsa do programa. Sim pessoas, olha aí a cagada de urubu, eu tive por um triz de ser expulsa do programa. Escrevi a carta e tentei deixar ela mais racional possível porque é assim que eles lidam com as coisas aqui, nada de passionalidade.

Foi a pior quinta-feira da minha vida. Numa agonia absoluta. Levei as fofinhas na gisnática e tente de tudo pra ver se dava certo: auto ajuda, positivismo, oração, tava apelando para todas as forças do universo que não deixasse interromper o programa de forma tão abrupta.

E como tudo que tá ruim pode piorar, a agência do Brasil ligou pra minha casa avisando minha mãe que eu tava de rematch. Minha mãe tadinha, que nada sabia da situação (não queria preocupar e tinha decidido contar só depois de tudo resolvido) tomou um susto e ficou mega preocupada, com toda razão.

café da manhã de despedida em Chappaqua

Aí lá vou gastar todo o meu verbo pra convencer minha mãe que tava tudo bem e tive que explicar tudinho pra ela. No final do dia tava lá no meu e-mail que eu já estava on line. Fiuuuuu, uma bigorna gigante saiu da minha cabeça. Eu estava on line de novo, significava que eu não tinha sido enxotada do programa.

Sobre o processo: uma vez que você pede ematch, se a família não estiver de comum acordo, a agência pode ficar de sacanagem  e não te dar o rematch de forma imediata. Agora, se a família pedir, na mesma hora você fica on line.

Por isso que eu não indico o programa porque sempre que você precisar a agência não vai te ajudar, eles vão ficar do lado da família. Essa foi a pior parte, se sentir sem ninguém que realmente possa resolver seu caso. Aqui eles te tratam (no meu caso, na minha agência APC e com minha LCC aquela piiiiii) como uma imigrante legal como os chicanos que vieram nadando do México.

A família, por outro lado, escreve o que bem entende no seu perfil e você, pobre au pair que vai todo dia no bosque colher lenha, nunca saberá o que foi escrito. Eu soube sem querer, uma vez que uma família me disse, que segundo meus arquivos constava que eu tava com depressão.

Olha aí a sacanagem, minha gente! Agora me diz, que família vai querer uma au pair que está com depressão? Mas isso é outra história, a história da volta a procura de família, família nenhuma que entra no perfil, e meu rematch de 1 mês e 2 semanas.

Deixa para o próximo capítulo, porque extrapolamos aqui o tempo de novo. Vocês já sabem, né? Nessa mesma hora, nesse mesmo bat canal. 😛

Beijos pra quem fica!

Ps: como não sabia como ilustrar esse post, coloquei as fotos que deveriam ilustrar os post anterior 😛

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5 comentários (+add yours?)

  1. Caroline Gibin
    Nov 22, 2011 @ 11:13:43

    Luuna,

    Fico muuito feliz que agora esteja tudo bem, bao sorte!!!

    Beijos!

    Responder

  2. R. Tomaz
    Nov 22, 2011 @ 13:52:02

    O dia da carta merecia um capítulo só para ele, no melhor estilo Ulysses (James Joyce), tamanha a agonia daquele momento.

    Agora, fico muito tranquilo de ler isto depois de tudo resolvido.

    Responder

  3. Fernanda
    Nov 22, 2011 @ 16:26:40

    Oi Luna,

    adorei essa trilogia do rematch! Leio vários blogs e nunca tinha lido nenhum post detalhado como o seu… as meninas sempre falam q a agência não dá suporte mas não falam exatamente o q aconteceu!! Tá ajudando muito!

    Tô feliz q vc tá num lugar legal e continuo na torcida… com pompom e tudo!

    Abraço brasileiro!

    Responder

  4. Aline Gomide
    Nov 22, 2011 @ 22:37:04

    Noooossa Luna, que familia fdp essa hein! Nem acreditei qndo li o que o host falou pra vc!!! o.O Fiquei passada… como assim ele disse isso?!
    Essa parte do rematch de mandar carta caso a familia nao concorde e tal… não sabia que era assim! Pelo visto tudo gira em torno da familia nesse programa né =\
    Que bom que tudo isso já passou!!!
    Que aconteçam muitas coisas boas pra vc de agora em diante 😀
    bj

    Responder

  5. Regina
    Dez 04, 2011 @ 07:13:36

    Que loucura hem!!!!!!

    Responder

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