Aquele do rematch – capítulo 1

Já vou avisar desde já: preparem os snacks, os bebíveis, se arranja aí numa posição confortável e senta que lá vem a história. Vou começar a narrar todas as desventuras dessa pessoa que um dia decidiu que não tava tendo uma boa experiência com a host family e resolveu pular fora do barco.

Como podem imaginar, toda essa fase de rematch foi uma loucura. O rematch mais longo de todo o oeste e um dos mais complicados também.

Nesse meio tempo eu:

Me arrependi do rematch e quis voltar atrás. Fiquei feliz por ter pedido rematch depois. Chorei muito. Ansiedade foi lá na estratosfera. Me senti uma sem teto, sem ninguém, num país diferente. Não tive apoio nenhum da agência e da vaca da Lcc. Trabalhei igual uma mula. Me senti insegura. Fiquei confusa. Fofo e eu paramos de nos falar.

Mas vamos começar essa história do começo: vou contar o porque do rematch. Para quem caiu de para-quedas nessa história, fui eu que pedi rematch. Era uma terça-feira, estava chovendo (piada interna de #nerdcast :P). Mentira, era uma segunda-feira e eu estava surtando.

Seguinte, eu nunca tive lua-de-mel com essa família. Nunca gostei deles desde o começo mas sempre tentei muito mesmo me adaptar. Primeiro veio a árdua adaptação da rotina nova. Eu não tive nenhum tipo de recepção aqui e as demônias nunca foram tipo, legais. Muito pelo contrario, eu tive uma pequenininha que PQP! Eu deixava elas na aula de tênis sentava e chorava. Ela me testou até aonde não podia mais.

Óooo e agora, quem poderá me ajudar?

Fora isso, eu sempre tive esse relacionamento profissional com a família. Até aí nada demais. Pensei assim: seria ótimo se eu tivesse uma família bacana, um quarto legal ( o meu parece quarto de empregada, chegamos a conclusão aqui que é o pior de todos os quartos de au pair), crianças legais mas enfim, não tinha nada disso. Mas vamos lá, não posso jogar a toalha em duas semanas.

Eu sempre trabalhei muito aqui, muito mesmo! Mas até aí tudo bem também porque tamos aqui pra trabalhar (me f*di mas é a vida).  A parte chata mesmo ficava no desconforto de estar num lugar que você não se sente bem. Tudo que você faz alguém te chama atenção. Sabe quando você está no seu trabalho? A gente sempre tem um comportamento mais comportado, meio que controlado no trabalho, porque né…. é trabalho.

Aqui eu vivo assim 2 4h por dia, 7 dias da semana. Eu nunca sabia quando fofo iria me chamar atenção. Ninguém nunca tentou me deixar realmente relaxada. Fora que a flexibilidade sempre partia só da minha parte. Toda vez que eu pedi pra alguém me quebrar um galho, tomei um não na cara!

Coisas boba, não dá pra ficar aqui remoendo tudo que me fez pedir o rematch, mas as coisas não foram melhorando. Quando fui para Vermont, fui totalmente contrariada porque imaginava o que iria me esperar. Mesmo assim, fui tentando abrir a cabeça, relaxar, aproveitar o lugar e tentar melhorar o relacionamento e o que eu sentia pela família.

Sei que pelas fotos e pelos posts parecia tudo perfeito mas tava longe disso. Eu passei 2 semanas sem amigos, sem internet, sem liberdade, sem nada, só trabalhando.

Eu acordava mais cedo (tinha hora pra levantar também, descobri isso quando eles mandaram as crianças me acordarem porque elas queria ver tv as 7 horas da manhã), e ficava lá esperando as crianças levantarem. Esperava fofaiada levantar e decidi o que seria do dia e dai eles me avisariam se precisariam de mim ou não. Não tinha nada que eu pudesse fazer, só esperar o que eles resolvessem.

Muitas vezes deitava na cama e ficava olhando para o teto esperando as horas passar, pra dar noite para ser um dia a menos pra voltar para Nova York. E foi lá também que eu fiquei sabendo (ninguém me contou mas a gente percebe) que a mais velha tem algum tipo de problema mental porque ela simplesmente surtava todos os dias, por nada.

Não tinha um dia que a menina não dava um escândalo com todo mundo, por qualquer coisa. Sair com todo mundo era maior aborrecimento. Fofos até se esforçavam pra fazer algo legal pras crianças, mas cara, que meninas perturbadas essas. Era sempre uma choradeira, briga, berreiro. A demônia mais velha então, misericórdia, eu nunca tinha visto nada igual.

Mas mesmo assim, com tudo isso eu me esforçava pra ficar na presença deles. Passei a aceitar os convites para sair: 1 porque as vezes eu tava com fome e não tinha nada em casa pra comer, 2 porque minha outra opção era ficar na cama olhando para o teto. Não só isso, eu queria forçar a barra, pra ver se aturar eles ficava menos sofrível (vou escrever roteiro de novela porque eu adoro um drama :P).

olha eu aí

Nessa época fiquei mega criativa para poder me entreter comigo mesma: escrevi muito post e deixava gravado no word pra poder postar quando tivesse internet. Arrumei meu HD. Fiz backup das fotos. Coloquei um monte de seriados em dia que eu tinha trazido do Brasil. Fui caminhar de all star e fiquei pisando torto por uma semana. Mas também olhei muito para o teto do quarto esperando as horas passar. Principalmente quando ficamos sem luz por causa da amiga Irene.

A parte mais chata foi perceber como ninguém estava nem aí pra mim. Tudo bem que em hora de trabalho eu concordo que eu tenho mais é que trabalhar mesmo (ainda achando que essa não é a proposta do programa mas é assim que as coisas funcionam por aqui). Mas nem nas horas off alguém se preocupava comigo, se por exemplo eu estava prestes a morrer de um tédio gigante.

Eu ía lá na cara dura pedir uma carona caso alguém estivesse prestes a sair. Daí alguém me deixava na livraria. Tava lá tranquilona e fofo ligava pra ir me buscar. Ou seja, eu nunca podia planejar de fazer nada. Ficava sempre dependendo deles e tal. E uma vez que fiquei lá na cidade horas, cidade pequena, o comércio todo fechando e não tinha ninguém pra me buscar. Voltei a pé pra casa. Sozinha e no escuro.

Depois fiquei até feliz, porque descobri que dava pra andar da casa até a cidade. De tanto andar de carro, a gente meio que perde essa noção. No outro dia fiz esse mesmo percurso a pé toda feliz com a nova independência conquistada e até fiz um vídeo para registrar a façanha.

Voltei para Nova York e foi um horror. As crianças piores que nunca, uma chuva e pra quem já não tava bem por causa das duas semanas de isolamento, só tendeu a piorar. Comecei a ficar bem chateada, principalmente quando reparei que eles nunca podiam me quebrar o galho, pra nada. Aí pronto, todo esses rancorzinhos acumulados vão virando bola-de-neve foda!

Coisas simples, sabe, como te colocar pra trabalhar num feriado quando ta todo mundo em casa e nego fica te arrumando coisa pra você fazer. Trabalhar quando nem as crianças estão em casa.  Mas  o pior foi me dizer que eu iria trabalhar num sábado, e eu tive que sair cedo do curso por causa disso. Até aí tudo bem, mas…

Cheguei em casa e não tinha ninguém. Fiquei uns 15 minutos, fofa chegou sozinha. Perguntei pelas meninas e ela avisou que estavam nos avós. Podem imaginar todas as maldições que passaram pela minha cabeça?

Tá tudo bem que eu já tava meio surtada mas isso foi a gota dagua. Não isso, mas toda falta de consideração. Falta de valorização do trabalho e claro, três demônias que não são nada fácil. Fora o fato, total desconforto dentro de casa. O fato deles terem preguiça de educar as crianças e o trabalho sobrar todo pra mim.

Lembro que eu falei para minha amiga da Sérvia, quando voltei de Vermont, (era início de Setembro) se as coisas não melhorarem no final do mês eu vou pedir rematch. No início de outubro eu realmente pedi. Foi meio como uma explosão, eu tava bem de saco cheio.

Ainda não sei se foi a melhor decisão, se eu deveria ter tentado mais, nem nada disso. Não sei como é que foi, como será, só sei que foi assim.

E foi assim o porque do rematch. Para o próximo capítulo eu vou contar, como foi dar a noticia para a LCC e para a família, a reação deles, da agência. O processo de rematch. O porque de eu ter ficado mais de 1 mês em rematch e é claro, a busca por uma nova família. Aliás, hoje é meu último dia aqui. Amanhã eu parto rumo a família nova, porque sim pessoas eu tenho uma família nova.

Não percam então os próximos capítulos, nessa mesma bat hora, nesse mesmo bat canal 😛

Beijos pra quem fica!!

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16 comentários (+add yours?)

  1. deboraferri
    Nov 18, 2011 @ 20:07:53

    Fiquei muito feliz em saber que você tem uma nova família. Porque depois desses aí, você merece e muuuito!!!!

    Conta o resto que eu to curioosa
    Beijos :***

    Responder

    • Luna
      Nov 19, 2011 @ 02:47:20

      Valeu Débora pelo apoio viu?

      Vou contar tudidnho o babado todo, só decidi ir partindo os pots porque iria ficar grandào e cansativo.
      beijos!!

      Responder

  2. Lisy
    Nov 18, 2011 @ 20:16:36

    Luna querida, lendo seu post, parecia que eu estava lendo minha história!! Super parecida, poucos detalhes diferentes… eu também me sentia uma empregada 24 horas por dia, dormir eram minhas horas mais alegres (e quando eu conversava com meus amigos, que sempre me deram muito apoio)… Mas a tudo isso, no meu caso, adicione uma fofoca mentirosa de que eu estava batendo na kid, que veio a público e chegou nos ouvidos da minha família! Então amiga, que bom que vc pediu rematch e que achou uma outra família! Espero que eles sejam MUITO bons pra vc, que eles te dêem uma coisa muito importante chamada amor! Boa sorte Luninha linda! Bjs

    Responder

    • Luna
      Nov 19, 2011 @ 02:49:23

      Lisy, pois é só quem assou sabe como é. Mas a gente supera né, náo tem outro jeito.
      Obrigda e espero que você também tenha um ano maravilhoso com a nova família 🙂

      Beijos!!

      Responder

  3. Carolina
    Nov 18, 2011 @ 21:03:18

    Ai, que bom que tu conseguiu familia nova! Não estava preparada para ver esse blog abandonado porque você teve que voltar pro Brasil. ):
    Quero logo o post sobre a new family. Estou curiosa!

    Beijossssss xx

    Responder

    • Luna
      Nov 19, 2011 @ 02:50:55

      hahahahutz mesmo voltndo para o brasil eu ainda teria um monte de posts pra falar da City,viu?E dai teria que ficar falando do Rio mesmo eheheh
      Valeu pela torcida!
      Mil beijos!!

      Responder

  4. Karina
    Nov 18, 2011 @ 21:16:57

    Vivaaaaa! Fico muito feliz por saber que vc encontrou uma family nova. Vamos torcer para que agora dê tudo certo e vc complete seu ano sem problemas.
    Boa sorteeee!

    Responder

  5. Aline Gomide
    Nov 18, 2011 @ 22:33:11

    Leio seu blog já faz um tempo (pois também quero ser au pair), mas nunca comentei. Ficava sempre acompanhando tudo e torcendo por você. Hoje resolvi comentar porque fiquei feliz em saber que você conseguiu uma família!!! Fiquei me imaginando na sua situação… =\
    Eu tenho um certo medinho qndo tiver que escolher minha família…

    Ah! Já li seu blog TODO, acompanho todos os posts. Simplesmente ADORO o jeito divertido que vc escreve! 😀

    Responder

    • Luna
      Nov 19, 2011 @ 02:55:33

      Falando em escolher fam[ilia ALine, pretendo fazer um sobre essa etapa tào importante na vida de uma au pair. So depois que a gente sabe como a coisa funciona é que fica melhor pra escolher fam[ilia, viu?
      Beijos e espero que toda esse besteirol que eu escrevo possa servir para te ajudar na sua futura caminhada de au pair
      beijos!!

      Responder

  6. Fernanda Prado *BAUER
    Nov 19, 2011 @ 00:26:39

    PorraMM, conta LOGO! 😛
    We are waiting for that.

    Responder

  7. Anna Luiza Rocha
    Nov 19, 2011 @ 01:14:30

    Ai que bom que conseguiu uma nova familia!!! Toda vez que eu via alguma menina falando em rematch eu lembrava de você! Vai dar tudo certo dessa vez!!

    E conta looogo o resto! rs

    Responder

  8. Fernanda
    Nov 19, 2011 @ 14:12:50

    Oi Luna, tô acompanhando seu blog como quem lê um romance e posso lhe afirmar q vc está se tornando uma ótima escritora! Até essas pausas de suspenses são ótimas pra gerar ainda mais publicidade pro seu texto! Continua nesse caminho!

    Bjus

    Responder

  9. Aline Gomide
    Nov 19, 2011 @ 14:24:17

    Vou esperar ansiosamente por este post!
    Seu blog tem me ajudado a enxergar o lado ‘real’ da vida de au pair, antes todo blog que eu lia dizia que era uma maravilha, as familias super legais, altos passeios e tal. Qndo a gente lê isso fica fantasiando tanto que nem pensa na possibilidade de ficar com uma familia ruim, que vá ralar pra caramba e que talvez nem passeie tanto. Quero me preparar psicologicamente para o pior kkkkkkkkkkk Desejo muito que sua nova familia seja bacana e que vc aproveite super bem o seu periodo como au pair. Quero repetir que eu adoro seu blog! 😀
    bjs

    Responder

  10. Brú
    Nov 19, 2011 @ 22:30:05

    esperando ansiosamente pelo próximo post u.u
    sacanagem fazer isso ! hahahahaha
    que bom que você arrumou uma nova família e espero que tudo que você tenha passado , seja recompensado em dobro ! boa sorte 😉

    Responder

  11. R. Tomaz
    Nov 20, 2011 @ 15:15:59

    Colocando um pouco de testosterona nos comentários… hehehe

    Responder

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