Família êh! Família ah!

Sem querer desanimar as candidatas a futura au pair, aí vaí mais um post contando como cada vez mais eu tô amando esse programa … NOT

Muita gente sempre me perguntou aqui sobre como era minha relação com a família. Post esse que era pra ter saido láaa atrás, mas não deu então vou falar assim mesmo, com esse atraso. E ainda que essa host family será minha por pouco tempo (Graças a Deus!).

Só um parênteses bem rapidão, esse clima de despedida daqui é super estranho: é um tal de vamos fazer isso porque não sei se vou ficar aqui, ou então minhas amigas achando um máximo que não vão precisar mais encarar minha driveway (é dos infernos, se bobear você atola o carro). Alias os amigos já até me deram um intimado: vê se escolhe uma família com uma driveway decente!

E eu sempre repondo: vê se da próxima vez eu escolho uma família que eu possa usar mais o carro, ser menos carona e daí você não precisam frequentar tanto minha driveway 😛

Não é atoa que os posts ficam sempre grande, né Luna? Mudando de assunto toda hora também fica difícil…

Enfim, dizia eu que a aritmética, que minha relação com minha quase ex-host family…

Puramente profissional. Eu vou lá faço meu trabalho, volto pra senzala e pronto! Nós nunca tivemos uma conversa assim de verdade. É sempre alguma coisa que envolva as fofinhas. Eles sempre foram muito educados, daí pergunta como você (no caso eu) está por educação. E por educação eu respondo que estou bem (mesmo que eu esteja pensando em me tacar da janela naquele dia).

Como eu janto com a fofa, as vezes eu puxava um assunto whatever só pra quebrar o silêncio constrangedor e também porque eu sou uma tagarela de marca maior. Odeio quando fica um monte de gente na sala e ninguém olha pra ninguém ou fala com ninguém. Daí eu puxo assunto até com a parede.

Até com os avós das fofinhas eu bati altos papos num super jantar que teve aqui pra comemorar o ano novo judeu. E olha que eles sempre me trataram como empregada. Mas foram tão bonzinhos comigos. Sei lá, acho que eles gostavam de mim. O avô fez piadinha comigo e tudo. Fiquei até sem graça de recusar o jantar quando vi que ela tinha colocado um prato lá pra mim na mesa.

Mesmo assim, normalmente sou eu que começo, como no dia que fomos ter outro jantar especial e eu já estava de rematch. Era outro jantar de celebração de algum feriado whatever judeu e tal, as fofinhas não param na mesa pra comer (normal) e ficou eu e a velha lá, sozinhas na mesa. Uma de cara para outra, eu era a cara da tensão. Eu sempre sento do lado oposto dela da mesa. Já fiquei me vendo naquela cena de Guerra dos Sexos.

 E na falta do que falar mandei um: ‘e não é que Steve Jobs morreu mesmo!’ Juro, isso foi a única coisa que meio veio na cabeça pra falar. Eu tinha acabado de entrar de rematch. E o que aconteceu? Passamos a falar de cancer durante todo o jantar (eu super sem noção).

Eu também nunca senti uma preocupação genuínas deles sobre a minha pessoa. Era sempre mais aquela preocupação de se eu tava bem para trabalhar. Ou então, eu sinto uma preocupação com a propriedade deles. Motivo pela qual eu quase nem uso o carro pra evitar futura dor de cabeça. Eu prefiro muitas vezes encher o tanque dos outros ou morrer no taxi mesmo. Porque né, já levei uns carões quando ía saindo toda bonitona de carro.

O carro também é um assunto a parte. Primeiro, ele de longe nunca foi meu. Um carro só pra mim, que vira e mexe tá lá todo mexido. Ah, mas vai que o fofo precisou andar com ele? Gente, meu carro é velho, não tem aquecedor, nem esquentador de bunda, atola na neve (não é 4X4), é um carro velho, de 2002.  Não, ele não precisa usar o carro! É, só sei lá, paranóia? Maybe. As vezes eu sei que ele enche o tanque. Daí tudo bem. Mas se não for isso, não tem outro motivo.

Aqui tem um Pilot, um carro desses de familia pra enfiar a pirralhada dentro, 4X4 e tal. E uma BMW. Sério mesmo que ele vai precisar de um Honda 2002? Nunca entendi porque entro no carro e tá todo reevirado. Ah! detalhe, a maioria das au pairs que tem um carro só pra ela, normalmente os hosts nunca nem entram. Ou se precisam, fazem a gentileza de avisar. Aqui não. Ele sempre deixou claro que o carro é dele. E é mesmo! Por isso que quase sempre tá lá na garagem.

Claro que isso nunca fica as claras mas é assim que as coias sempre foram levadas aqui. Eu nunca fui uma au pair, mas só uma babá. Que tem a vantagem de ser mão de obra mega barata e tem o bônus da flexibilidade.

Flexibilidade, pra quem não sabe, é um eufemismo para: vou usar você na hora que eu bem entender, como for mais conveniente pra mim e você nem tem direito de reclamar. Mas tudo sempre com muita educação.

Uma vez perguntei para a família por que que eles tinham uma au pair nossa, a mulher quase engasgou. Mandou lá uma desculpinha qualquer. Disse uma coisa interessante também, que a agência fala que au pair tem muito mais experiência que uma babá. Mas o motivo todo mundo já conhece (é que o de cima sobre o de baixo desce :P) mão de obra barata.

Todo mundo aqui (com as exceções gente, claro) caga para experiência cultural. Povo quer saber de te colocar pra ralar e pronto! F*da-se o resto você que se vire aí. Quem mandou virar Au Pair? Bem que minha mãe mandou eu estudar…

As crianças também me tratam só como a empregada delas, claro porque é assim que elas foram educadas. Então assim, elas meio que já estão acostumada com entra e sai de meninas. E te tratam mesmo como você está na minha casa e de favor, tem direito a trabalhar pra mim, e sem reclamar. E olha que as mais novas tem só 4 anos.

Já ouvi muito, Luna venha aqui agora. Luna você faz o que eu mando você fazer. Ou então, farei o que eu quero fazer. Luna você não é permitida a fazer isso. Luna, essa luva é minha? (oi?). Mais o que eu mais tenho ouvido ultimamente é: You’re sooooo mean! (Você é tão má!). E tudo porque ela quer que EU carregue a mochila dela e cate a bagunça que ela faz no carro. E eu mando catar tudo! Mas eu sou muito má e injusta por isso.

Como babá eu não tenho direito de ficar cansada: não adianta toda vez que eu sento, e é raro isso acontecer, uma delas me coloca pra fazer alguma coisa. Por isso que quando estou off, eu não movo uma palha. Eu até posso ser gata borralheira, mas tenho minhas horas de Cinderela 😛

rola uma identificação

É assim, eu arrumo e elas bagunçam. Com os pais do lado e você acha que alguém fala, meninas a Luna acabou de arrumar isso aí, vamos colocar no lugar? Nãaooo fica lá e eu tenho que arrumar quantas vezes elas tirarem do lugar.

Na hora de pedir rematch fica até dificl dizer o porque,viu? Porque pela APC, a familia tem que fazer algo fora do contrato praticamente. O problema é que dá pra você contornar as regras sem quebrá-las de fato. Putz, estudei direito por 5 anos e meio, é só o que advogado faz 😛

E é isso que acontece com essa família. Tecnicamente falando eles não quebram nenhuma regra, mas só porque eles são educados não querem dizer que são um bando de filhos da p*ta. Porque, até tirar o prato da dondoca eu tenho as vezes, porque ela deixa pra eu arrumar a cozinha quando ela termina de jantar, e não quando as crianças terminam.

Dai ela fica lá de madame jantando (da comida que eu fiz) sai e deixa tudo pra eu arrumar. E essa é só uma das folgadices, fora as várias outras que fui cortando. Como respeitar horário.

Uma família bacana vai respeitar seu horário certinho, e ser honesto. Quando precisar de horas extras vai combinar ou pagar mais ou uma folga, sei lá, porque é isso que pessoas honestas fazem. E não usam do trabalho alheio de graça em benefício próprio. Primeiras semanas e eu atrás da mulher toda hora pra avisar que óoooo fofa, tá passando das horas. E eu ainda levava umas olhadas feias. E uma vez tomei uma reposta: se preocupa não Luna que não vou deixar passar suas horas (claro porque tô em cima porque se deixar…).

Ah mas pelo menos eles são educados. Ué! Ser ignorante é uma opção? Nunca foi pra mim. Eu nunca nem cogitaria ficar mais de dois dias numa casa de família aonde as pessoas gritam ou faltam o respeito comigo. Não tô pedindo muito, mas como uma relação puramente profissional (como eles enxergam) só quero o contrato sendo respeitado.

Não tô pedindo demais, mas só que minhas horas fosse cumpridas certinhas, porque ninguem nunca se esquece de colocar pra eu trabalhar que nem mula. 😛

E assim as coisas foram indo. As coisas são feitas e decididas sem ninguém me consultar. Eu só tenho que aceitar e pronto. Sempre conforme as conveniência deles. Relação profissional, e só!

É assim que passei a encarar logo no meu primeiro dia aqui. Para evitar futura frustração, esqueçam logo esse negócio de “ser parte da família”. A gente não é. Porque na hora de ir tomar no c*, vamos todas sozinhas. Claro que se você conseguir uma família bacana, beleza. Mas não vá esperando isso pra não se frustrar. Vá com cabeça de tô aqui pra trabalhar.

E exija seus direitos. Aqui ninguém vai brigar por você. Ninguém! Então esteja preparada para se defender sempre de quando quiserem abusar de você. Faça seu trabalho bem feito, respeite as regras e vá curtir seu tempo off que é tudo que a gente tem nessa vida de merda au pair.

Como sempre, falei demais…

pra quem conseguiu ficar até o final,

beijos pra quem fica!

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11 comentários (+add yours?)

  1. Fernanda
    Nov 03, 2011 @ 16:40:25

    Oi Luna, sou uma dessas quase au pairs… embarco nessa furada dia 05/12, sofro junto com vc a cada post! Depois não deixa de contar com sua LCC tem agido e qual a posição da agência em relação ao rematch (embora eu já possa imaginar qual é!).
    .
    Outra dúvida, vou fazer aquele tour por nyc durante o treinamento pq vou morar na Califa e sei lá qdo poderei viajar até NY again! Então, se vc puder dar algumas dicas “fazíveis” em apenas algumas horinhas, eu agradeço muito!

    Abraços e boa sorte.

    Responder

    • Luna
      Nov 03, 2011 @ 16:53:46

      Oi Fernanda,

      nossa, adorei a ideia para os post. Vou escrever sim, pode deixar =D

      Super posso te ajudar sim, me diz quantas horas você tem? Dependendo, da pra fazer o basicão, tipo, Times (loja M&M, Hersheys, Disney, Escada Vermelha), e sei de umas meninas que conseguiram ir no Rockfeller Center e subir no Top of the Rock. Se der, super vale a pena!
      Acho que se vc não respisrar da pra fazer isso aí, me diz depois quantas horas vc vai ter.

      Beijos e boa sorte nessa empreitada

      Responder

  2. Suelen
    Nov 03, 2011 @ 17:42:23

    Luna,
    mais um post super interessante!!!
    Claro que nem todas as families sao assim, mas esse tipo de familia existe, e muito.
    Conta como ta o processo de rematch? JA conseguiu uma family?
    Beijinho

    Responder

  3. Gabrielle
    Nov 03, 2011 @ 18:14:40

    @fernanda : Não vem já achando que é furada pq boas familias existem sim, mas como a Luna falou, vem já com a cabeça pronta pra trabalhar! Isso não é um intercambio, é trabalho de babá (só que bem mais barato pra eles e pra nós o beneficio de morar fora) E só! Os americanos montam mesmo, mas pra isso a menina é que coloca a própria cela. Se vc não deixar eles te explorarem eles não vão fazer isso… E se tentarem fazer o melhor é pedir pra sair! #capitaonascimentofeelings… O rematch as vezes é necessário e bem vindo!
    @Luna, assino em baixo em tudo que vc disse. Sempre leio os seus posts (li todos) e adoro. Espero que vc vá pra uma familia mil vezes melhor(e com uma driveway decente, né :p ). Em resumo, sou mais uma na sua torcida! bjim

    Responder

  4. Carolina
    Nov 03, 2011 @ 18:54:22

    Como era a sua relação com eles antes de você ir? Rolava uma identificação ou eles só fingiram ser legais?

    Btw, também tenho a mesma dúvida da Fernada (se duvidar ela é uma das Fernanda’s que viajam comigo :p). Soube que o tour por NYC é bem sem graça, então queria aproveitar mais porque vou pra Flórida e não sei quando visitarei NYC de novo.

    Beijos!

    Responder

    • Luna
      Nov 03, 2011 @ 23:06:01

      Eles pareciam ser muuuuito mais simáticos quando eu estava no Brasil. Muito mesmo. Daí botei os pés aqui e tomei o choque da realidade logo de cara no primeiro dia e vi que não era nada daquilo.
      Então, qto tempo vcs ficam por NYC? Só com ot tempo é que da pra calcular o que vcs podem fazer.
      Aproveitem que NYC é demais!!

      Beijos!!

      Responder

      • Carolina
        Nov 04, 2011 @ 19:44:52

        Argh, filha da putisse desses americanos que se fingem de simpáticos pra uma garota que está pagando pra realizar um sonho. :/

        Então, acredito que a Fernanda, como eu, estava pedindo dicas pra época do treinamento mesmo. Vejo todo mundo falar que o city tour por NYC é chato e ficamos o tempo todo no onibus e tal, queria saber se tem alguma dica pra fugir desse tédio e aproveitar melhor. 😉

  5. Poliana Alves
    Nov 03, 2011 @ 22:50:08

    Adorei o post!!! To sentindo bem isso…. minha host era super atenciosa, mas pisou na bola, tchau!! Eles nao dao educacao para os filhos. Pois bem, o meu kid de 3 anos me deu uma cuspida na cara e ela q estava na sala, nao fez nada!!! Ai soltei os cachorros. PQP!! Aguento de tudo, crianca mimada, chorona, mae banana que faz tudo q eles querem…. mas mexeu comigo, afffff!!!
    Vc explicou muito bem!!

    Responder

    • Luna
      Nov 03, 2011 @ 23:07:14

      Nossa, cuspida na cara é foda hein?!
      Aqui já tomei tapa de criança, já me chamaram de estupida, e que sou má, ma cusparada até agora nada.

      Melhoras aí

      Beijos

      Responder

  6. Fernanda
    Nov 06, 2011 @ 23:41:14

    Oi Luna, vou pela APC e tô sabendo q o treinamento acaba às 17h e depois disso estamos livres até às 22h (toque de recolher). Por acaso vc sabe como faz pra ir do Hotel pra NYC? É verdade q é proibido ir pra NYC nos dias do treinamento, salvo o dia do city tour?

    Responder

    • Luna
      Nov 07, 2011 @ 02:17:51

      Oi ferananda ,

      ENtão o treinamento acaba sempre as 17h e daí vc tem o seu tempo livre pra fazer o que quiser: que seria no caso: piscina ( no calor, obvio), ir no shooping ou ficar no quarto mesmo no PC ou vendo TV e tal.
      O toque de recolher é de 10 pm. E eles passam pra checar se as meninas estão no quarto. Vão de quarto em quarto.
      O que acontece eu acho , tenho quase certeza, é que não dá ir em NYC creio eu que por ser hora de rush tudo vai está mega engarrafado ne NJ para a City. Tipo é mega engarrafamento mesmo, dai acho que vcs devem levar até umas duas hora pra chegar, e como vocês ainda tem que está lá as 10, não acho que vai valer a pena. Até porque o onibus não deve ser barato.

      O tour eu não fiz porque como iria ficar em NY, não queria gastar dinheiro com isso. Mas todo mundo que foi falou que não vale a pena porque você fica parte do tempo no ônibus.
      Mas assim, o shopping é bem legal, tipo é gigante, tem cinema e tal, era pra onde eu ía e uma vez fizemos uma farra dentro do meu quarto.

      Bom, espero poder ter ajudado,

      Beijos e meninas e boa sorte.

      Escrevi bastante sobre o treinamento nesse post, acho que talvez possa ajudar
      https://ontherighttrackbaby.wordpress.com/2011/07/23/o-treinamento-2%C2%AA-parte/

      Responder

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