Escrava Isaura, muito prazer!

Finalmente, trabalho entregue é igual a mais tempo que eu tenho pra escrever no blog 😀

Tá fácil a vida não, essa semana estou trabalhando que nem uma mula e até fiquei feliz por estar em rematch. Mesmo sabendo que existe uma grande possibilidade de eu me f*der com outra família, mas já dizia o velho e sábio ditado: tá no inferno, abraça o capeta 😛

Então, vida de au pair familyless não é mole não. Preparem -se porque essa semana estou num modo mimimi extreme. Não posso fazer planos de férias, não posso estudar, fico naquela agonia de ter que correr igual uma louca por NYC pra conseguir ver tudo que eu planejava ver por um ano mas que agora tenho só um mês, e fora a sensação sem teto de saber que nada mais disso aqui te pertence.

Tá bom vai que nunca pertenceu, mas sei lá, por um ano celular, carro era “meu”. Agora é pra daqui a pouco sabe, muito estranho. É tudo muito esquisito. Eu meio que já tô de mala pronta pra vazar daqui.

Por outro lado, agora tentando desesperadamente olhar o copo meio cheio, tem coisas que não te aborrecem mais. Qualquer coisa que acontece que eu pensava, caraaaaiii vou aturar essa apurrinhação por um ano, agora eu penso, tá bem, só por mais um mês.

Como eu acho que essas meninas nasceram com diabo no corpo, elas sempre arranjam um motivo novo pra querer me tirar do sério. Agora é a briga pelo carro: uma das pequenininas quer ir andando para o ponto de ônibus. Até aí tudo bem, só que está um frio da porra agora e eu não quero ficar lá virando picolé enquanto todo o resto da fofaiada fica lá confortavelmente dentro dos seus possantes.

Pronto! Virou uma novela essa história: ela grita que não é justo! E foi contar para os pais. A cara da mãe do tipo, é acho que você tinha razão (minha filha é uma chata de galocha) e meio que resolvendo com, tá seu pai vai andar com você até o ponto um dia (vai esperar sentada) e eu levei a cambada toda de carro, aos berros, mas já aprendi a ignorar o berro dessas meninas. E como eu tô meio que largando o f*da-se pra essa gente, elaborei uma resposta padrão para todos os desaforos da pirralhada: deixa pra se comportar assim com a próxima au pair em um mês, comigo as coisas funcionam do meu jeito! E aí elas não tem muito pra onde ir…

E dai todo mundo se cala. Não tem, jeito, tô indo embora. Qualquer coisa eu falo beleza em um mês não é mais problema meu e u falo isso out loud o tempo todo. E sabe se lá deus porque as fofinhas ainda pedem pra eu ficar aqui 😛

Alias elas estavam preocupadíssimas dia desses porque na cabeça delas elas não entendem como vou morar em outro lugar se eu não tenho uma casa aqui. Estavam planejando como eu iria ficar aqui então trataram de arranjar uma solução: vou pra city de trem e lá arranjo um hotel pra ficar porque tem muito hotel e eu não ficaria homeless. Adorei a solução, quem banca o hotel pra mim? Posso usar sua poupança da faculdade?

Nesse meio tempo, já ganhei delas um I love you seguido de um mega abraço dado nas minhas pernas ( pela que mais me deu trabalho), um pedido pra ficar, também já ouvi que eu sou a melhor babysitter e no fim das contas umas dela agora só quer ver televisão no meu colo. Eita povo bipolar esse.

Legal também ver o avanço nesse tempo. Como elas aprenderam que comigo nada funciona na base do grito, que tirou do lugar tem que colocar, que a hora que falo tem que fazer, não tem negociação no melhor estilo Capitão Nascimento. Deu trabalho, mas foi um facilitador de vidas pra mim. Já que a mãe tem preguiça de educar fui lá eu fazer o papel. Não porque sou legal, mas porque facilita minha vida depois.

Momentos que fazem valer a pena

Sabe o que me deixa mais frustrada com essa história toda? (mudei de assunto gente, acompanhem o raciocínio)É que minha verdadeira intenção era ter uma experiência de intercâmbio, aonde você realmente compartilha cultura. E como au pair essa é ultima coisa que a gente faz aqui.

Primeiro, vivemos numa bolha: a maioria das au pairs estão em subúrbio aonde pra ir na esquina precisa de carro e os moradores estão muito preocupados com suas próprias vidas. Assim, no subúrbio só dá fofaiada e esse povo não me mistura. Só tem gente velha casada ou então crianças. Aqui tudo é segregado, fofaiada só fala com fofaiada, latino com latino, au pair com au pair.

Levanta a mão aí cambada quem conseguiu fazer um amigo americano? gGrande parte da resposta será não. Subúrbio tende a ser lugares bem provincianos, sabe? Cansei de ser ignorada por fofaiada. Ate em situação de social eu aqui sou ignorada. Tipo uma vez levei as fofinhas numa festa de aniversário (chatooooo toda vida, esse povo não sabe se divertir, espontaneidade passa longe) e eu fiquei lá de dois de paus, ninguém se aproxima porque você tem uma placa de babá na testa.

No ponto de ônibus é a mesma coisa, ou são os maridos que falam comigo ou uma paraguaia que chuta aí? É cleaner também. E latina daí, já viu, mas o resto…

O máximo de interação cultural que você faz é com outros países (isso se você não ficar com preguiça de falar inglês, acredite muitas meninas tem): Sérvia, Itália (adooooro minha amiga da Itália, ela é muito engraçada), Alemanha (também adoro as meninas maluquinhas de lá), Africa do Sul. Mais a maior interação que as meninas costumam fazer mesmo é Rio – São Paulo. Eu ainda não falo (nem falarei) “meu” nem “mano” mas aprendi a dar um beijo só na bochecha porque cansei de ficar no vaco (no Rio são dois, ou três pra casar :P).

Fora isso você tá trabalhando igual uma mula isolada na sua bolha, em casa. Sem ver ninguém ou então lá lidando com as fofinhas. E aí no seu tempo off, o que se faz? Turista! Vai passear, conhecer lugares novos, tudo o que um turista faz. Cadê a experiência cultura? Esse não vem no pacote. Ou você tá lá de camelo ou de turista. São 5 dias de turista para 2 de camelo, se você tiver a sorte de não trabalhar no final de semana.

Hoje eu repenso muito o programa de Au Pair como categoria de intercâmbio. Não é! É quase que um trabalho escravo legalizado pelo governo americano. Ou como diria uma mulher que conheci no club das fofinhas (ah é, ela é exceção) it’s almost against the law (quase contra a lei) trabalhar as horas que a gente trabalha, na flexibilidade que trabalha (pra quem não sabe, au pair não tem direito a nenhum feriado, e a folga pode ser em qualquer dia)e ganhando o quanto a gente ganha.

E a gente ainda é pagou por isso!

Ah, mas a gente pode estudar! É cara pálida, mas com 500 obamas é difícil achar um curso decente que valha a pena (pelo menos aqui em NY), só cursinho de Inglês, que pra mim não me interessa. Queria fazer algo que valesse a pena, para dar um up no curriculum. E pra isso eu teria que desenbolsar no mínimo o dobro.

E outra coisa, com eu já expliquei isso aqui, você tem que estudar num horário que seja conveniente para a família. Por exemplo, eu tava quase sem horário de estudar, tive que bater o pé pra poder escolher o curso na faculdade que eu queria porque se fosse pela fofaoiada eu faria curso de um dia só, numa faculdade mega cara. Alias, a véia (porque como diria a Ket, fofa é ela) aqui quase querendo decidir o que eu ía estudar. Ahh váaaaaa.

Mas Luna, você tá dizendo, no auge dos seus três meses aí, que  ser au pair não vale a pena? Isso vai depender muito do que você quer dessa experiência 9algo extremamente pessoal), dos seus objetivos aqui e claro, da sua família. Grande parte da sua experiência ser agradável ou não vai depender da sua host family. E tipo, 95% das famílias são filhos da p*ta. Mas se você cai aí nos 5% dai você pode ter uma experiência bem agradável.

Exemplo: no mesmo dia que eu estava conversando sobre rematch aqui em casa, minha amiga que chegou no mesmo dia que eu estava conversando com a família dela de estender Ela e eu tivemos experiências super diferente desde o começo. Putz, mas a família dela é bem legal, e olha que ela trabalha, hein?! A experiência dela é bem diferente da minha tanto é que ela vai ficar aqui mais tempo.

Sempre desconfiem se a antiga au pair não estendeu. Porque aqui pelo que vi, todas as meninas que pegaram famílias bem legais estão estendendo. Fica aí a dica.

Eu já cai lá nos 95% de família que sem nem te beijar só quer te f*der. Aqui eu não fui contratada pra ser au pair, e sim pra ser mãe, secretária, faxineira. E fora que é uma família de esquizofrênicos, eles são muito desconfiados com tudo. Já falei que uma vez eu tive que calcular com a fofa quantas fatias de pão eu gastava porque ela não acreditou o quanto de pão se gastava. Õ mulher!! Tá achando que eu tô mandando pão para o Brasil?

Não é a toa que estou super desacreditada do programa. E não estou esperando nada da próxima família (que um dia vai parecer, ainda tô na esperança) só pura ralação mesmo. Mas com um pouco menos de esquizofrenia. Do resto, o que vier é lucro.

Quando eu cheguei aqui super achei que iria partilhar cultura, ser parte da família… BULLSHIT! Agora eu só espero, para a próxima família me f*der um pouco menos. Quero só umas regalias, tipo um carro sem frescura, sem curfiew, um schedule mais tranquilo… posso acrescentar mais?

No mais, o crescimento vai ser pessoal mesmo ou espiritual, como queiram. Apesar que com três meses de au pair não acho que tenha me tornada tão mais sábia assim 😛

Termino aqui minha sessão mimimi, pessoas! Eu precisava desabafar já que não tô podendo jogar ninguém pela janela ainda.

Beijos pra quem fica!

 

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5 comentários (+add yours?)

  1. R. Tomaz
    Out 27, 2011 @ 12:45:11

    Quando a meninada estiver reclamando, o negócio é dar uma de Capitão Fábio e soltar a frase (desculpas, meninas!): “Essa pica agora é do aspira”.

    Responder

  2. Natlaia
    Out 27, 2011 @ 14:03:35

    Luna…

    Acho seus posts maravilhosos!!! e espero que vc encontre uma ótima hf…
    Eu já estou 5 meses on pela APc e até agora só falei com uma HF que era uma louca.. morro de medo de fechar match com HF problematica…porque quando estamos aqui eles são super solicitos e atenciosos quando chega aí as máscaras caem!!!!!
    Enfim, ás vezes me pergunto se é um programa viável, uma vez, que é muito dificil achar uma familia bacana (pelo menos uma que não regule comida),por outro lado acho que esses programas de um mês que as agências de intercâmbio oferece não dá para aprender muita coisa, ou seja, a dúvida sempre bate na porta!

    Responder

  3. Suelen
    Out 27, 2011 @ 17:05:50

    OI Luna,
    nossa.. O teu post ficou muito bom! Acho que nao tem nada nele que eu discorde… Ja divulgasse ele no grupo? Tem muuuuita gente precisando ler isso…

    Eu tambem estou no grupo dos 95%… Nao estou muito contente, mas eu ja vim preparada, eu sabia que esse programa nao era um conto de fadas e tambem ja sabia como era a family…
    Apesar de tudo, eu acho que esta valendo a pena… A gente tem que aproveitar os momentos off… E realmente viver um pouquinho a cultura deles (que nem existe muito essa de cultura aqui, eu acho), e by yourself. Porque se depender dessas families, estamos fritas…
    Espero de verdade que voce encontre uma family logo! E assim como tu disse, ela nao precisa ser perfeita neh? MAs se for mais tranquilo, te tratar com um pouquinho mais de respeito, acho que fica mais tranquilo, mais facil de continuar essa luta. heheh

    Um beijo.
    Boa sorte!

    Responder

  4. Fernanda Prado
    Out 27, 2011 @ 18:48:01

    Elas aprenderam que comigo nada funciona na base do grito, que tirou do lugar tem que colocar, que a hora que falo tem que fazer, não tem negociação no melhor estilo Capitão Nascimento. Deu trabalho, mas foi um facilitador de vidas pra mim. Já que a mãe tem preguiça de educar fui lá eu fazer o papel. Não porque sou legal, mas porque facilita minha vida depois. – me vi nessa descrição. 😉

    Quanto à sua situação, espero que melhore, Luna.
    Força na peruca aê!

    Responder

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