Meia dúzia de dicas para virar uma imigrante caveira.

Faaaala auperizada, e aí como vai a vida?
Hoje o post vai ter uma pegada diferente, primeiro de tudo não fui eu que escrevi (pausa dramática para o espanto)  COMO ASSIM?! Não gente, eu não tô pagando de blogueira famosa e colocando outros pra escrever no meu lugar. Excepcionalmente hoje trago um convidado não tão especial assim  pra falar da sua experiência (que tem de sobra, pra dar e vender) como intercambista. Sem mais delongas, vou deixar que ele mesmo se apresente. Enjoy!! (aí que ele vai reclamar desse meu vício de ponto de exclamações :P)
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Olá meninas!
Pra quem não me conhece meu nome é Igor, mentor espiritual da Luna, dona desse blog. Vim aqui de entrão porque ela achou que faltava um pouco de testosterona nesse clube da Luluzinha. Antes de mais nada aviso que nunca fui aopér, mas já lidei com intercâmbio por 3 anos e atualmente moro em Mumbai, Índia depois de ter rodado uma caralhada de países.
Durante uns dias fiquei pensando no tema pro meu primeiro post aqui (se é que vão me deixar  escrever mais algum). Daí decidi escrever algo baseado na minha pesquisa dos comentários e experiências com intercâmbio: Adaptação cultural.

A parada é o seguinte, quando se pensa em morar fora o olho de muita gente brilha, afinal parece ótimo ir pra um lugar diferente e curtir o que o mundo tem de bom, certo? Marromeno. O problema com os brasileiros que se mandam é a dificuldade maior em se adaptar ao novo país. Não sou só eu que digo isso, vários gringos já vieram com a mesma reclamação e o que eu notei é que nós somos demais apegados ao estilo de vida da terra do oba-oba.
Essa falta de preparo mental faz muita garota arregar depois de um tempo e voltar pra casa falando que os EUA, Alemanha, Japão ou Austrália são uma merda. O povo é frio, a comida é ruim, a gente é esquisita, o clima é mais frio-quente-morno, não tem feijão… enfim aquele saco de asneiras que a gente adora usar pra não assumir que somos uns frouxos que não conseguem viver sem mamãe-e-papai por perto.
Seguindo essas dicas em 2 meses vocês vão estar descendo o morro fazendo  rapel, de cabeça pra baixo e dando tiro de fuzil. Perguntem pra Luna, é resultado garantido ou seu dinheiro de volta.

Você depois do intercâmbio

1 – Brazil, let it go.
Até funk no ônibus fica legal depois que a gente cruza a fronteira, mas a verdade é que tentamos lembrar de cada coisinha do Brasil quando moramos fora e a tendência a querer a mesma vida dura muito tempo. BULLSHIT.  Porra, se você saiu do país não o leve na mala, então esqueça no começo as fotos do Cristo e a garrafinha com água da Ipanema (se você não deu a sorte de ser carioca, substitua por outra coisa típica, como a fumaça de carros da Paulista por exemplo).  Não ver o Brasil te ajuda a se concentrar no aqui e agora.
2 – Seja um gringo.

É meio brabo mudar os hábitos e se desapegar da sua cultura, mas é essencial  pra ficar confortável no seu novo lar tentar fazer o que os gringos fazem e entender o porquê disso. Na Bulgária aprendi Búlgaro e li cirílico e amarrava martenitza nas árvores, na Holanda andei de bicicleta pra cima e pra baixo, na Turquia rezei numa mesquita, na Grécia andava de toga na rua tomava café gelado enquanto jogava gamão, na Índia como com as mãos. Na Argentina… bem tudo tem limite, preferi continuar brasileiro mesmo (sacanagem, Argh!-entina é sensacional).

3 – Crie uma rotina

A menos que você queira ser uma turista de longo prazo é bom criar uma nova rotina. Tenha um barzinho preferido, faça amigos locais e mantenha novos hábitos como você tinha em casa. Tudo no estilo local. A primeira coisa que eu faço num lugar novo é achar um lugar pra me socar depois do trabalho e uma night pra curtir, achar um restaurante legal e daí pra frente me sentir bem. A rotina faz você se sentir fiting in.

4 – Conheça a área aonde mora.

Você sabe que seu bumbum repousa naquela cidade quando é capaz de dar informações para expatriados novatos ou mesmo locais. Decore os landmarks, saiba os nomes das ruas e como chegar lá. Uma hora você dispensa o Google Maps e sai andando de olhos fechados e quando vê já até critica os turistas fazendo presepada na rua.

5 – Delete o Português.

Nossa língua é linda, mas a verdade é que se você quer morar fora perca esse hábito de falar Português, especialmente se tiver uma outra au pair gringa por perto. Sério, isso atrapalha quase todos os brazucas abroad e se torna um hábito. De quebra, mais estrangeiros vão chegar junto e você ainda evita a fama de brasileira bitch que não se mistura. Leia em inglês e aprenda as gírias e expressões locais ASAP.
Que fique claro que não estou sugerindo a você a não falar com brasileiros especialmente no começo quando a coisa aperta, mas evite ficar numa bolha verde-e-amarela que não dá espaço pra uma experiência mais ampla. Quem lida com intercâmbio conhece histórias sem fim de gente que foi embora e voltou sem quase nenhuma melhora no Inglês por causa do excesso de convivência com Brasileiros. Quer falar Português, vai pra Moçambique.
Amigo é que nem sorvete, tem que provar todas as cores e sabores.
6 –  A errada é você!
Julgamento de valores é a primeira coisa que fazemos quando vemos quando os gringos se comportam. Na China achamos tudo conservador, numa boate americana, tudo uma putaria. Sempre se lembre que seu bikini te fará uma vagaba aos olhos da gringaiada, o Carnaval é um feriado de 4 dias para a mais pura sacanagem e no fim das contas nós não toleramos homens e mulheres dividindo casa se não forem namorados.
Essa é a cultura do país e a errada é você. Tente entender os motivos (nem eles saberão dizer) e faça QUASE tudo da mesma maneira. Digo quase porque senão você vai aceitar ser trocada por um camelo no Marrocos, e convenhamos, a mulher brasileira vale mais do que isso. Pelo menos uma moto. :PConclusão, saia da zona de conforto e sua estada na Gringolândia vai ser muito mais fácil.  Demora mais ou menos dependendo da pessoa, mas lembre-se que isso passa e a sua capacidade de absorver os hábitos locais vai transformar sua viagenzinha mixuruca numa life-changing experience.
Beijos direto do Taj Mahal!
P.S.: qualquer pergunta, deixa aí nos comentários que eu terei prazer em responder. Até mesmo um xilique ocasional eu tratarei com muito carinho. Fofíssimas!
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14 comentários (+add yours?)

  1. samaris
    Ago 08, 2011 @ 23:28:41

    muito bom, parabens, eh a mais pura verdade….parabens pelo blog!

    Responder

  2. Glau Ribeiro
    Ago 09, 2011 @ 00:08:10

    mto mto mto mto bom esse texto! adoreeeei! e começo agora a campanha: volta pra cá de vez em qndo Igor! (;

    bju direto de Minas Gerais! (:

    Responder

  3. danny au au pair
    Ago 09, 2011 @ 13:00:47

    Adoreei as dicas Igor.
    Vou tentar seguir todas quando estiver na terra do tio Sam.
    Abraço

    Responder

  4. Aline
    Ago 09, 2011 @ 13:20:50

    Ameei as dicas! E o videozinho então… nem se fala! 😉
    Nunca fui pro exterior mas já morei em vários lugares aqui no Brasil mesmo, e é bem verdade isso tudo, você ~tem que~ se adaptar ao lugar.
    Beijos
    PS.: Mas esse blog da Luna tá cada vez mais chique! haha ;P

    Responder

    • Igor Rodrigues (@rodriguesigor)
      Ago 10, 2011 @ 00:44:48

      Pois é somos vários países em um só, fica até difícil definir uma identidade brasileira. Pra quem sai de uma região pra outra (às vezes nem tão longe) essa skill de camaleão faz toda a diferença.

      PS.: to vendo a hora em que a Luna vai dar as caras num desses programas de viagem do Multishow. 😀

      Responder

  5. Caroline Gibin
    Ago 10, 2011 @ 09:23:41

    Awesoome. Pode deixar que vou fazer questão de ler este post de novo quando estiver dentro do avião 🙂

    Responder

  6. Fernanda
    Ago 10, 2011 @ 18:37:39

    Adorei o post! Volte mais vezes!

    Responder

  7. Manu Magalhães
    Ago 10, 2011 @ 21:45:01

    Muuuuito bom o post e muuuuuuito bom esse blog! Parabéns aos dois! Luna, levei dois dias, mas já li TODOS os seus posts, adoro o lado histórico da coisa também, você escreve de uma forma muito divertida! Beijos

    Responder

  8. Vanise
    Ago 11, 2011 @ 11:29:11

    Adorei o post e concordo com tudo, quando a minha irmã morou fora ela ficava o dia todo conversando com a minha mãe aqui no Br pela net, eu achava isso um absurdo, dava a impressão que ela não se desligava, não dava chance de vivenciar aquele momento de outra forma, de uma maneira mais intensa, eu quero sair da bolha verde e amarela, vou fazer de td para ter uma experiência de corpo e alma.
    Você pode passar um e-mail para contato Igor? o meu é vanise.perli@hotmail.com , gostaria muito de trocar umas idéias com vc sobre meditação.
    Abraços

    Responder

    • Igor Rodrigues (@rodriguesigor)
      Ago 11, 2011 @ 17:22:19

      Oi Vanise, que bom que gostou do post. Essa ideia de cortar o link com o Brasil é bem complicada, mas faz toda a diferença pra se ter uma ideia de imersão. Claro que eu falo com minha família e amigos, mas não toda hora e sim em chats esporádicos (até porque nem tem tanto assunto).

      Quanto ao contato eu peguei seu email e a gente vai conversando. Quanto a meditação confesso que não entendo muita coisa. Tenho lá minha filosofia de vida particular, mas não sou assim tãão desenvolvido espiritualmente, então não se decepcione, viu? 😛

      Responder

  9. karolzinha
    Ago 14, 2011 @ 17:20:03

    Igor, escreva por aqui mais vezes, adorei!

    Responder

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